sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Psicodelia pós ye ye ye

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Faixa do segundo e mais psicodélico LP da cantora Vanusa, lançado em 1969, Atômico Platônico é uma das faixas composta por Jean Garfunkel e Fernandes que passou despercebida do grande público.

Frente ao seu tempo, o disco não foi entendido pela crítica da época e foi massacrado pelos chamados "especialistas em boa música", assim como aconteceu com Ronnie Von quando lançou no mesmo ano o emblemático álbum psicodélico, hoje reverenciado por todos.

No caso de Vanusa, que no ano anterior já tinha colocado o pé na psicodelia com a música "Mundo Colorido", de sua própria autoria, o trabalho começa a ser reconhecido, tanto que o disco já foi relançado em CD.

Vale destacar que, neste disco, apenas a faixa "O que é meu é teu" composta pelo cantor Silvio Brito - obteve relativo sucesso.

Outro destaque é a capa, assinada por Tebaldo, onde a cantora aparece em foto tremida, meio desfocada, com cores embaralhadas, para dar a impressão de movimento, forjando uma imagem psicodélica.

O LP foi produzido por Osmar Daumerie e teve arranjos do maestro Portinho, com direção artística de Alfredo Corleto e coordenação artística do cantor e compositor Fábio, namorado da cantora na época, e que tem em seu currículo a psicodélica "Lindo Sonho Delirante - LSD", de 1968.Confira a letra de Atômico Platônico:

Meu coração explodiu de saudade

Sob os efeitos da radioatividade

Eu fiquei a chorar, a chorar...

Procurando encontrar

Numa explosão nuclear

O meu amor, o meu amor...

Atômico, platônico... (2x)

Busquei nas estrelas

Outras formas de sonhar,

Busquei na imensidão

O seu doce e meigo olhar...

Atômico, platônico... (3x)

Meu coração já se desintegrou

Nessa cruel triste guerra de amor...

Atômico, platônico... (5 x)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

TOSTINES DO POETA II



"O povo vê novela por que é alienado,ou é alienado por que vê novela?"

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Psicodelia tropicalista

Psicodelia (no Brasil) ou psicadelia (em Portugal) é uma manifestação da mente que produz efeitos profundos sobre a experiência consciente. O termo "psicodelia" origina-se da composição das palavras gregas psiké (ψυχή - alma) e delos(δήλος - manifestação). A experiência psicodélica é caracterizada pela percepção de aspectos da mente anteriormente desconhecidos ou pela exuberância criativa livre de obstáculos.
Experiência psicodélica ou estado psicodélico é um conjunto de experiências estimuladas pela privação sensorial, bem como por substâncias psicodélicas (daí a associação com o efeito de algumas drogas/medicamentos). Essas experiências incluem alucinações, mudanças de percepção, sinestesia, estados alterados de consciência e psicose.*

O que define uma manifestação artística psicodélica?
É ser o mais sensorial possível.Gritos imagens e letras psicoticamente questionadoras também.


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*fonte Wikipédia

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Jupiter Maçã



Lançado na Espanha, pelo selo Elefant, “Uma Tarde na Fruteira” [o disco era para ser chamado Una Tarde En La Fruteria], consolida mais uma vez um ótimo trabalho, tal como foi o “A Sétima Efervescência” [lançado em 1996 pelo selo Antídoto e depois relançado nacionalmente no ano seguinte pela Polygram].
O disco carregado de hits “funciona”, digamos assim, como uma coletânea lá fora, pois no total são 17 faixas, sendo 10 do próprio Fruteira, 3 do Plastic Soda e 4 do Hisscivilization. A capa apresenta um lay-out de capa reverenciando a gravadora carioca Elenco que lançava discos de bossa nova nos anos 60, além do encarte com as letras.
Começa com: “A Marchinha Psicótica de Dr. Soup” e suas atmosferas tropicalistas, “Tema de Júpiter Maçã” coloca The Kinks e The Who no mesmo liquidificador, “Base Primitiva Revisitada” e “Act Not Surprise”, ambas tem a participação de Zé do Trumpete no respectivo instrumento. “Menina Super Brasil” é uma das melhores, é bem dançante.
“Little Raver” tem um instrumental Simon & Garfunkel e um belo refrão. “Síndrome de Pânico”, outro petardo apresentando alguns riffs perdidos das sessões de gravação de Rubber Soul dos rapazes. “Um Sorvete com Vocês” parece que você está em 1967 escutando Os Mutantes (!).


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Sinto muito quando penso que as pessoas gostam de vê-lo no pior estilo Syd Barrett (e no andar da carruagem fica fácil perceber que ele tem de tudo para se tornar um) e fico triste em pensar que essa genialidade toda esta relegada a um país de terceiro mundo que não valoriza seus artistas e que nem sequer sabe disso. Não tem cultura suficiente para cuspir na estrutura como diria o bom, velho e morto Raul Seixas. Não tem sensibilidade para entender os processos artísticos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Tostines do poeta



"O povo não sabe votar por que é burro,ou é burro porque não sabe votar"?

Âmago do ser


Quando retornei do vale das sombras
Olhei-me no espelho
Meu rosto descrevia todas as dores
Todo os amores em vão
Todo tempo que havia perdido
Não contente com essa visão Dantesca
Olhei no fundo dos meus olhos
Senti um alívio
Olhei novamente para ter certeza
Não tinha dúvida
Minha alma não estava lá
Menos mal
Pelo menos é só o corpo
Que sofre nesse mundo infame

domingo, 25 de janeiro de 2009

Grande irmão abre vagas



O New York Times após a badalada inauguração do seu prédio de 57 andares na rua 42 de Manhattan,navega pelos turbulentos mares da crise mundial.

Ventila-se falência ou a venda do grupo que está nas mãos da família Sulzberger desde sua fundação.

Mas se alguém emprestar a bagatela de 225 milhões; a fábrica de estórias sobrevive.

Se o times falir quem irá fazer o agendamento de mentiras no mundo?

sábado, 24 de janeiro de 2009

O Fim da Noite


A noite abraça-me fria na calada da alta madrugada. Estou só, a lua é minha confidente. O infinito parece a cada instante mais próximo das minhas mãos. Meus sonhos, meus temores e incertezas afogam minha alma; sufocam meus gritos.
Esse duelo noturno acompanha-me até o amanhecer; não tenho sono, não tenho insônia. Estou sóbrio, embriagado de tédio e angústias indefinidas. Quando o sol pedir licença, retirar-me-ei deste palco; esperarei novamente meu ato.
A vida é uma tristeza quase absoluta; rotinas cíclicas, infinitas. Trabalhos intermináveis.
Todas as manhãs, milhões de seres, em marcha fúnebre, dirigem-se às paradas dessas grandes cidades. Aglomeram-se, atrolham-se em pequenos espaços. Sono nos rostos, tristeza nos pensamentos. Qual o objetivo disso? Onde isso levará? Que fim encontraremos para além dessa vida? Semanas inteiras passadas em branco à espera do fim de semana. Não é o tempo que estamos matando, é a nossa vida que está morrendo.
Não vislumbramos os jardins, tampouco nossos parentes. Pensamentos a mil, vidas a dez. Estamos destinados a envelhecer,e, a beira da morte, compreender que tudo aquilo que passamos, passamos em vão. Será tarde, o tempo é imutável, o fim não. Viver o agora, é mais do que viver o presente, é garantir vida no futuro.
E mais uma vez o sol expulsa-me. Voltarei ao meu ciclo noturno e esquecerei dos sentimentos sentidos quando não estava em posse de minha razão.


Onde Acaba O Que Começa


Existe um mundo dentro de mim. Existem pensamentos ao meu redor. Existe um enorme buraco sobre minha cabeça. Existe uma solidão em que o silêncio sufoca meus tímpanos e cega minhas narinas. Existe um barulho insuportável vindo de dentro do meu peito; é a angústia que explode para fora dos meus poros; é o medo que apavora minha coragem.
Sinto-me cada vez mais feliz por estar tão distante da realidade e cada vez mais próximo da tristeza, dos prantos da madrugada.
Tenho medo quando a noite chega, pois com ela a solidão. Tenho medo quando ando só abaixo da lua. Adoro a euforia da morte; suplico o cheiro das flores sobre meu corpo.
Não existe mais um conjunto, existe uma única parte do quebra-cabeça. Quero voar para apagar o fogo do meu coração. A liberdade me espera por de trás das grades que me aprisionam.
Posso correr, posso flutuar no mar; agora estou só, não existe mais o impossível. Meus olhos só vêem o que minha mente traça. Meu caminho é longo, meus passos também. A morte não existe, é a vida que acaba.
Meus olhos sangram, meu sangue fervilha, minha vida é eterna, minha morte me acompanha.
Quero a insanidade sempre ao meu lado; minha melhor amiga, a única que me entende. Quero música urgente nos meus ouvidos. O som me maltrata, não quero sofrer. Sou sarcástico,
masoquista. Sua face me causa ira; ótimo! Adoro pecar. Quero ver-te em flores mortas.
Não penso, não reflito, sou apenas um instrumento da sociedade, aprendi a repetir estrofes, refrões de músicas e poesias que de beleza somente o poder de manterem olhos e ouvidos atentos à espera de uma palavra de sabedoria.
Sou triste, sou alegre, sou sábio, sou tudo, sou nada. Neste momento, em que me encontro comigo mesmo, não encontro nada. Nesta hora, em que só existe o não existir, minhas mágoas não têm fim, e meu fim não sei quando começou. Quero viver aqui dentro, dentro de mim. Colocar flores amarelas nos vasos e perfume nas paredes. A cortina negra que cobre minha alma quando eu não estou é espessa, não quero tirá-la; ela impede que a luz de fora ofusque meus olhos ao ver quem realmente sou.
Meus pensamentos ludibriam minha paciência. Sinto-me melhor em agora saber que sou feliz; minha infelicidade compõem meu talento de ser alegre. Minha melancolia conforta meu ego. Preciso de mim, preciso de todos, mas principalmente não preciso de ninguém para ser quem eu sou.

A Realidade do Burguês


Existem inúmeras realidades por trás de cada uma existente na vida. Não sei por que me sinto assim, querendo fazer do meu tudo nada; tendo medo de não chegar a objetivos que nunca tracei.
Minha vida de repente cai em um abismo, onde a presença de todos me traz solidão; em que o fim parece tão mais simples que o início.
Não quero ter de desistir, também não sei do que posso desistir, apenas quero mudar, quero diferença em minha vida egoísta e ambiciosa, na qual quanto mais consigo, menos me realizo. Uma vida que eu posso ter tudo, e mesmo assim não dou valor para nada.
É engraçado como as coisas ocorrem, quando acordamos para vida, somos pessoas que são dignas de uma vida completa, entretanto, ao mesmo tempo, de uma vida vazia. E dentro dela se projeta um ciclo eterno que não para de girar no mesmo lugar, fazendo do meu peito algo nem um pouco interessante para se ficar.
Tenho tudo e todos que quero e preciso, mas percebo que preciso tanto de tudo que acabo me tornando nada. Nada mais que um número em meio a uma selva de rotina e planos de burgueses interessados em ter mais do que os outros.
Eu não posso ser daqui, meu mundo não pode ser assim. Quero uma vida nova, um eu mais feliz e alegre; quero que minha depressão não se torne apenas um momento baixo da minha personalidade, mas sim a hora de conhecer-me a fundo e ver de que nada adianta plantarmos as melhores sementes, pois na terra somente vingarão as sementes mais bem cuidadas. Quero poder cuidar da minha semente, quero esquecer dos medos que me afugentam.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Obama o dono do mundo



Agora só se fala em Obama,como se ele fosse presidente do mundo,mas na verdade é, então vamos ao seus comandados:

Obama irá ter algum problema de gestão,como acontece a todo gerente novato em uma equipe.O gerente Obama irá traçar o perfil comercial de sua empresa.
Obama é um empresário desenvolvimentista;irá começar pelos empregados menos qualificados.
Ao descer no celeiro de sua empresa Obama visitou sua equipe de produção.
Na entrada não estava a lista dos encarregados de cada setor;Obama furioso criou uma lista na hora,perguntando pessoalmente para a "pionada" quais eram os seus nomes,pois ele irá fazer um crachá azul de cartulina escrito a pincel atômico vermelho,o nome da jaguarada:

Luiz Inácio Lula Da silva-Brasil (Não é bem visto pela empresa mas ainda traz lucros)
Chile - Michelle Bachelet
Rafael correa-Equador (Funcionário revoltadinho,mas daqui a pouco irá aceitar as normas da empresa)
Cristina Kirchner -Argentina (Por ser a funcionária gostosinha da empresa,e faz quase tudo o que o chefe manda a deixaremos em Stand by)

Lista negra
Sindicalistas com estabilidade.
Infelizmente a empresa não pode demitir essas criaturas horrendas comedoras de criancinhas

Venezuela-Hugo Chaves (O funcionário brigão que sabe a intensidade da força popular)

Bolívia-Evo Morales (Puxa saco de Hugo,daqui a pouco em nome da guerra as drogas uma bomba caí no seu departamento)

Agora os futuros paus mandados de Obama.

Uruguay - Tabaré Vázquez
Peru - Alan Garcia (Que tem aversão de latinos)
Colombia - Álvaro Uribe (aluno exemplar)
Guiana - Bharrat Jagdeo

PS. Tem a Guiana Francesa - Antoine Karam presidente do Conselho do SEAS,mas é área do Sarkozi, Obaminha não se mete.

O Retrato Avesso de Um Ser


Em momentos assim que sinto meu corpo flamejar, minha mente entorpecer-se de ódio; um rancor inexplicável que faz um sangue espumante ser expelido em forma dos mais variados impropérios ao mundo.
Quero matar, não posso controlar. Meus punhos suplicam sangue; minha consciência quer sentir-se culpada por algum crime hediondo cometido em momentos de descontrole psicológico.
Sou pesado, não consigo respirar. As paredes sufocam meus sentimentos. O som que estridente brota dos alto-falantes apontados para meus ouvidos ensurdece-me; esconde meus instintos; camufla meus gritos.
O satanismo inexistente existe; cultuo o morto e o assassino. Sou o carrasco do meu próprio ser; executo e sou executado.
A navalha penetra na carne e derrama o sangue que é o combustível de um corpo sedento; de um ser noturno que vaga soturno pelos locais mais insalubres da noite.
Aqueles pensamentos lúgubres envolvem meu ser. A essência mórbida do ar que desliza do cemitério até minha face percorre um longo caminho até chegar ao fundo do meu coração e ali plantar a semente do eterno.
Aos poucos aqueles sentimentos vão esvaindo-se, tão lentos e graduais como surgiram. Tão sensíveis como o impacto que causaram.
Daqueles momentos de devaneios insanos, o que resta são as lembranças vertiginosas de uma viajem ao desconhecido, o conhecimento do interior negro que habita meu âmago.
Sou a jaula de um demônio incontrolável; o béquer de uma substância instável e destrutiva. Meu corpo é a prisão do criminoso mais pecaminoso que a humanidade conheceria; o tirano mais inescrupuloso, cuja ira submeteria a nação à desumanidade completa.
A humanidade é assim composta de elementos visivelmente idôneos, mas que na verdade não passam de mais um complemento da real natureza primata e selvagem dos homens: únicos seres pertencentes ao meio terráqueo que premeditam os mais capciosos crimes, seja contra a pureza da natureza, seja contra a podridão de si próprios.
Um retrato de um ser ao avesso, que acima de tudo é humano: a pior de todas as aberrações que vaga pelos espólios desse universo.

Onde Foi Que Marx Errou?


Mais um ano em que o sistema de cotas está em vigor na UFRGS, e mais um ano em que seu “objetivo” não é cumprido. Negros continuam relegados a um segundo -ou terceiro- plano, e nossos verdadeiros necessitados sequer sabem o endereço de nossa universidade...

O sistema de cotas é falho, pois beneficia não àqueles para os quais as cotas deveriam ser direcionadas: vestibulandos de baixa renda que nunca tiveram oportunidade de se dedicar integralmente aos estudos, devido à necessidade de conciliar a carreira profissional com as aulas, e assim poderem cooperar com as despesas domésticas de uma família que, em muitas vezes, têm um número expressivo de integrantes dependentes única e exclusivamente da renda deste futuro vestibulando.

Então, supondo que por alguma razão, este estudante que não teve oportunidades de estudar, pois deveria trabalhar durante a maior parte do dia, venha a passar no vestibular beneficiado pelo sistema de cotas, como ele, agora, conseguirá administrar seu tempo para que possa realizar as cadeiras da universidade federal gaúcha, sendo que nela os horários não são fixos e se misturam em períodos de manhã, tarde e noite? Se este estudante puder abandonar seu emprego para cursar a universidade - em que a maior parte dos alunos não trabalha - ele não precisaria ter ingressado apoiado ao sistema de cotas, pois poderia investir seu tempo que, agora (aprovado) dispõe, para se preparar e atingir a pontuação necessária.

É exatamente isso o que o sistema de cotas faz: mantém a exclusão. Pois aquele estudante que verdadeiramente dependeria das cotas, ou não é atraído para a universidade por não poder manter o sustento de sua família, ou é desclassificado durante o processo, que como sabemos, é de alto nível de dificuldade, e que, dependendo do curso escolhido, só é possível a aprovação - mesmo apoiado às cotas- mediante a um excelente programa de estudos, e, segundo às opiniões favoráveis às cotas, alunos egressos de escolas públicas não dispuseram desta ferramenta. Não bastando isso, o estudante que realmente dependeria das cotas, caso não seja desclassificado pelo ponto de corte, no momento de competir com seus adversários, também "cotistas", perde sua vaga para aqueles que desfrutam indevidamente da oportunidade das cotas.

Alunos que desfrutam indevidamente das cotas são aqueles vestibulandos, em sua maioria de classe média, que estudaram em escolas públicas por estas estarem mais próximas de suas residências - não havendo necessidade do uso de conduções-, por exemplo. Ou que na família já exista um irmão mais velho cursando alguma instituição de ensino privada, e este estando mais próximo do vestibular, faz com que sua família, por não ter condições de pagar para ambos, e afim de assegurar a possibilidade da aprovação em uma universidade gratuita, abdique do ensino do mais novo, o qual, entre outros motivos, pode ter adquirido vínculos de amizade na escola, o que o faz optar por cursar toda sua carreira escolar em uma instituição pública. Além desse exemplo, existem muitos outros que podem levar alguém com condições de pagar uma escola particular, optar por matricular seu filho em uma escola pública, e assim poder, com o dinheiro economizado durante os anos letivos, investir em cursinhos pré-vestibulares que, como se sabe, é o que faz a diferença na hora de garantir uma vaga na universidade. Por outro lado, famílias sem necessariamente condições de pagar uma escola privada optam por fazê-lo na esperança de garantir a aprovação em uma universidade pública, pois se comparado o custo do ensino médio com o do superior é sabido a diferença exorbitante. Como conseqüência, os cotistas estarão tão preparados quanto os não-cotistas – e em alguns casos, até mais-, como exemplo, o que ocorreu no concurso vestibular UFRGS/2008 e UFRGS/2009, em que alunos, oriundos de escolas públicas, prestaram vestibular para medicina e obtiveram uma pontuação mais alta do que muitos dos primeiros colocados pelo acesso universal.

O eufemismo das cotas para auto declarados afro descendentes remonta – ao meu ver- escamoteadamente uma época da história em que judeus e alemães tinham momentos diferentes para cruzar a rua; estabelecimentos restritos a não judeus e outras formas irracionais de segregação. Entretanto, hoje, parecemos estar apoiando esse – vejam as aspas- “bom nazismo”, o qual segrega, diferencia etnicamente e, em última análise, humilha. Mas será mesmo por uma boa causa?

Temos poucos negros em nossa universidade? Sim, é fato estatístico, todavia as reformas de base deveriam iniciar pela base do problema e não pelo topo da pirâmide.

O estado é único, e prima de mesma forma para todos. Se as instituições de ensino público são responsabilidades do governo e a atenção é dada de maneira igualitária para todas as escolas, como pode um aluno declarado cotista - por não ter as mesmas oportunidades de estudo que os não cotistas - alcançar uma pontuação superior à maioria das conseguidas por alunos ditos “melhores preparados” (escolas particulares)? Por qual razão, alunos cotistas classificados nos primeiros lugares pelas cotas em seus respectivos cursos conseguiram médias superiores a inúmeros outros classificados pelo acesso universal?

Existe um grande abismo que separa a oportunidade de estudo da regalia desmedida. Alguém com ambição de mudar seu quadro social através dos estudos deve apoiar-se em seu esforço e mérito, e não em uma brecha - proposital ou não- deixada no sistema de seleção.

O Brasil quer igualdade, quer progresso? Pois bem, todos queremos. Apoiamos incondicionalmente a inclusão social, entretanto uma inclusão realmente inclui quando nenhuma parte do todo é retirada. Caso contrário, não estamos à beira de uma revolução social, mas sim de uma substituição disfarçada.

O grande donatário de privilégios não é a direita nem a esquerda, mas sim o estado que agora pode esbanjar dados favoráveis quanto ao ingresso ao ensino superior, e conseguir esmolas dos financiadores internacionais.

A reforma não deve ser somente paliativa para sanar problemas gritantes, deve ser de base e bem estruturada. Não devemos abrir as portas das nossas universidades a “pseudocotistas” -despreparados e oportunistas -, mas aperfeiçoar o ensino e dar oportunidades iguais àqueles que realmente querem estudar. Para assim fazer, devemos expandir significativamente projetos de cursos pré-vestibulares gratuitos, onde só chegarão vestibulandos realmente interessados em alcançar um lugar na vida.

Queremos estudar? Comecemos agora! O vestibular é a melhor forma de testarmos nossa capacidade de obstinação. Pular esta etapa é chegar ao fim profissionalmente desqualificado.







Cesare Battisti


Cesare Battisti - por Mino Carta
Sempre me encantou uma frase de Samuel Johnson: a pátria é o último refúgio dos canalhas. Verifico que também pode ser dos desinformados. A decisão não é da Justiça, e sim do ministro da Justiça. Contra o asilo tinham se manifestado o Conare, órgão competente, no caso, e o Itamaraty. Cacciola não foi extraditado pela Itália por ser cidadão italiano, assim como Biggs, o ladrão inglês, não foi extraditado pelo Brasil por ser pai de brasileiro. Quando caducou a chamada doutrina Mitterrand, que dava asilo até a terroristas condenados por sentença passada em julgado, a França decidiu extraditar Battisti e por isso ele fugiu para o Brasil. Depois de anunciada a decisão do ministro Genro, o presidente não poderia dizer senão aquilo que disse na noite da quinta-feira passada. Outro ponto em que os desinformados naufragam diz respeito à situação política da Itália. Por obra e graça das manobras organizadas no Brasil pelos defensores de Battisti, espalhou-se a convicção de que a extradição foi solicitada pelo governo direitista de Silvio Berlusconi. Nada disso, o pedido partiu do governo anterior, de centro-esquerda. O terrorismo, desde seus começos, foi condenado pelo Partido Comunista e hoje seus herdeiros tomam enérgica posição contra a decisão do Brasil. Mais uma questão. A soberania da Itália não vale nem mais, nem menos que a do Brasil. Mas a afronta ao Estado italiano e à sua Justiça é evidente. O ministro Genro arroga-se o direito, em lance de inaudita prepotência, e diria também de ignorância, de contestar uma sentença em julgado na Itália. Que diriam nossos patriotas se um ministro italiano se dispusesse a discutir a condenação de um cidadão brasileiro por um tribunal brasileiro? Inacreditável. Genro conseguiu, porém, ir além, na esteira, aliás, do professor Dalmo Dallari, ao afirmar que devolvido à Itália, Battisti correria até perigo de vida. A Itália não é Darfur, é uma democracia de primeira linha, com uma Constituição que é a mais longeva da Europa continental. E o Estado italiano sabe como proteger seus encarcerados. E que diriam os patriotas se o ministro da Justiça da Itália negasse a extradição do tal cidadão brasileiro condenado pela Justiça brasileira e refugiado na península, ao alegar que o mesmo correria perigo de vida em um cárcere brasileiro? O assunto ainda vai dar pano para a manga, no entanto, este é meu esclarecimento definitivo aos patriotas e aos desinformados. Ambas as categorias deixam-se manipular, o que não me causa maior surpresa. Dá canseira, porém.

Faço as palavras de Mino Carta, minhas.

Vídeopoema VÔO LIVRE de KBÇAPOETA

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Vôo livre


Antes de mais nada gostaria de explicar:
Não há certo ou errado!
Tudo não passa de um mosaico
com imagens mil.
A razão me cobra coerência.
Mas logo hoje em que o juízo abre falência?
Nunca mais serei sensato,
acordar cedo bater o ponto no escritório.
Tolices
Agora eu quero é o nada.
ser como um galho seco que flutua em um rio caudaloso,
sem destino mas com o seu fim certo:
Apodrecer.
Assim é a vida
E até que me prove o contrário…

Sociedade televisionada


Todos os dias recebemos enxurradas de informações sobre a crise.
Não aguento mais os efeitos que crise de crédito desencadeada pela fatalidade do Lehman Brothers e por aí vai.
Não vou dar uma de Ana Maria Braga e exaltar a idiotice e a ignorância, mas ficar vampirizando a mídia e extrair só sangue também não dá.
E por incrível que pareça, a culpada não é a mídia. Somos nós!
Se determinado programa que sai sangue, quando você liga a televisão, marca altos índices de Ibope, ele irá continuar, anuncios irão aumentar e ele torna-se um programa de sucesso.
Então antes de reclamar o estado que chegou a mídia aberta, a erotização da televisão brasileira, mude o canal, vá ler um livro se não há algo interessante para se assistir, mande seu filho ler um livro ou brincar como uma criança normal ao invés de delegar função de babá para a televisão.
Lugar de bom filme é no cinema.
Um boa cena é no teatro.
Boa estória é no livro.
Fatos é no jornal.
A televisão deveria ser o reflexo disso, mas o senso comum só assiste Tv.
O que fazer?