quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Uma Questão de Opinião



Qual é a abrangência do termo "terrorismo"? Talvez, simplificadamente, a expressão signifique impor a vontade por meio da violência e do terror. Sendo assim, o Tio Sam deveria voltar sua política do Big Stick não só para o oriente, mas também para sua sala de estar, a Europa. Mas parece que não é interessante combater nossos amigos das suásticas e vestuários exóticos - para não dizer ridículos. O que há décadas vem perpetuando-se no ocidente, sempre pouco difundido pela mídia - excetuando os casos hollywoodianos-, são os sentimentos xenófobo, racista, homofóbico e todos os outros que inspirem virilidade . E quando digo ocidente, quero dizer todo o ocidente. O Brasil também não está de fora; quem não se lembra dos gays espancados por "skinheads" em Curitiba?

Não se pode dizer que o combate a esses vândalos carecas seja uma questão de segurança nacional, afinal esses bebezarrões rebeldes precisam agrupar-se em três para dar conta de uma mulher grávida e indefesa. Não faço ideia de quantos seriam necessários para executar a mesma façanha com uma nação... O fato é que talvez, apesar de sujar a imagem de um Estado soberano, manter alguns desses gentlemens como anfitriões seja o melhor aviso da direita europeia aos latino-americanos, africanos, europeus orientais e a toda a corja desses quase indigentes que insistem em parasitear as riquezas dos países desenvolvidos. Além do quê, desde quando a morte de um brasileiro é capaz de minar a reputação de um país? Se assim fosse, o Brasil seria o primeiro país a ser assolado pela má fama, haja vista que aqui nossos anfitriões - os traficantes - não brincam de escrever mensagens infantis; eles matam mesmo. E muitos brasileiros morrem nas mãos desses agiotas do governo.

O termo skinhead pode abarcar muitas personalidades; qualquer um com a "cabeça-pelada"- ou seja lá como for que eles preferem ser chamados - pode ser engajado nessa contracultura. Já se foi a moda punk, a hipiie, a grunge, a underground. Agora o barato do momento é a moda skinhead. A vantagem dessa moda, em relação as outras, é que nessa, não se precisa saber ler; não há uma filosofia específica; você não precisa saber nada! Talvez apenas que se é um skinhead; mas se não saber, é só sair no soco que tudo está resolvido. Eis o melhor cartão de visita de um skinhead: a porrada.

Os skinheads mais cultos se autodenominam- com o auxílio da mídia - de neonazistas. Momento cultura: nem todo skinhead é um neonazista; existem muitos skinheads negros, judeus e, até -quem sabe - gays - porque ficar no meio de tantos homens soa suspeito. Os skinheads fazem parte de um movimento igual a qualquer outro - mais idiota, é verdade. Um exemplo familiar de skinhead são os Hooligans, tão falados em Copas passadas. Provavelmente, esses rapazes, os quais seriam algo muito semelhante aos nossos tão típicos pit boys arruaceiros, amantes do Jiu-Jitsu e de músicas ridículas em alturas estridentes , nunca leram Mein Kampf - mas diferente dos nossos pit boys, eles com certeza sabem ler - a educação europeia é invejável- se não leem é porque tem socos mais importantes para dar.

Realmente, o acontecimento trágico que fez a brasileira Paula Oliveira, residente de Zurique, e que estava grávida de três meses de gêmeos, sofrer um aborto forçado foi um fato lastimável e imperdoável. Contudo, as autoridades não podem esperar que todos vejam esse fato com surpresa. Qual a dúvida quanto ao que sucede quando três homens carecas, e em que em pelo menos um deles vê-se nitidamente uma suástica tatuada na cabeça, andam de preto, à noite, em uma estação de trem germânica, local onde podem entrecruzar-se pessoas de várias etnias e nacionalidades? A verdade é que a Europa enfrenta problemas graves de identidade, que não são de agora, talvez dado ao fato de sua formação conturbada.

É complicado para um europeu admitir que entre seus conterrâneos existam aqueles que conclamam o nazismo e extravagâncias afins, marcas culturais que crucificam os nossos ex-bárbaros. Mas isso faz parte da cultura; não se deve renegar, mas sim trabalhar para alterar, não simplesmente abafar, como há muito é feito, talvez, principalmente, por pressão da opinião pública mundial que condena indistintamente os acontecimentos passados. Manter o nazismo e outras orientações políticas marginalizadas, faz com que elas sirvam de alimento contra o tédio de play-boys bombados sem nada para fazer, mas que mesmo assim apresentam mais lastro intelectual do que os nossos play-boys bombados. Enquanto lá, forjadamente - ou não, vai saber- os valentões lutam contra a dominação estrangeira dos postos de trabalho e a insegurança representada por imigrantes famintos, os nossos brigam por loiras peitudas e por atenção do público em geral. Lá, o problema é - teoricamente- político; aqui, é crítico: o problema é intelectual! Lá uma reforma política, provavelmente, resolveria. E aqui, o que há a se fazer?

O brasileiro é muito sentimental quando o assunto é pop. Uma bala perdida no Rio é notícia de populacho sensacionalista; em Londres, é manchete renomada de impacto. Não diminuo a dor de nem um, nem de outro; apenas saliento que a morte é morte em qualquer lugar. O que acontece lá, acontece aqui. E se a atenção dada ao que acontece lá fosse dada ao que acontece aqui, possivelmente, lá, não aconteceria nada. Ou os norte-americanos são alvos de skinheads ou da Scotland Yard?

O brasileiro precisa conquistar o respeito internacional. O que lá eles têm em demasia, e os faz agir como donos incontestes da razão, aqui carecemos. Lá, eles repudiam - em excesso, é verdade- aqueles que tentam apoderar-se de suas míseras porções de terra e oportunidades de emprego; aqui, abanamos o rabo como fiéis escudeiros do imperialismo, e damos de presente de boas vindas a Amazônia e nossas imensidões naturais. Os rapazotes de lá, apesar de não saberem nada da bandeira que ostentam, muito menos o porquê de ostentá-la, têm muito a ensinar aos rapazotes daqui.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Ed. e Seu Castelo...



Uma história de superação e garra. Filho de um carteiro de Juiz de Fora e de uma professora primária, Edmar Moreira, nosso compatriota, dá-nos o exemplo de como é possível, sim, sair da pobreza e alcançar um lugar ao sol; entretanto, o que falta ao exemplo, é explicar como.
De ex-capitão da polícia militar a corregedor-geral da Câmara, nosso deputado deu asas à imaginação e pôs em prática o sonho infantil, comum a muitas crianças, de um dia morar em um castelo.
Nosso simpático vitorioso usa o patrimônio exótico, avaliado em mais de 20 milhões de reais, como casa de campo, para relaxar aos finais de semana.
E relaxar não é difícil, pois a construção tem 32 suítes; uma cozinha industrial capaz de atender 200 pessoas; dois elevadores; sistema de aquecimento central; uma capela; um anexo de lazer, com sauna, salão de jogos e de ginástica; e como, é claro, não poderia faltar na moradia de um bom vivant, uma adega climatizada com capacidade para 8.000 garrafas.
Esses casos todos servem para elucidar o quão injusto é o povo; o que é uma lixeira de 2.000 reais se comparada a toda a exorbitância desse mais novo empreendimento brasileiro, de causar inveja aos europeus? Não podemos ser injustos! Temos que nos contentar com nossos pequenos ladrõezinhos – melhor dizendo – infratores, pois, agora, vai dizer, uma lixeira de 4,81 salários mínimo não é de se causar tanto espanto assim – sejamos sinceros. Temos que tratar bem nossos pequenos transgressores, ou se não - ai ai ai ai - o Ed. mau vai gastar todo o dinheiro do INSS!
Agora, quando a pessoa tem vocação para os negócios, não tem jeito, tudo parece se acertar como “mágica”. A casinha dos sonhos do nosso príncipe encantado está à venda, e qual é o melhor corretor de imóveis do que a imprensa? Está tudo ao alcance de qualquer um: as fotos da propriedade; área; número de suítes, de quartos, de banheiros ou qualquer outra possível dúvida dos interessados. Não se precisa sair de casa para procurar; a casa do Ed. é que está à procura de alguém para quem se vender. Provavelmente um outro velho decrépito com o orifício entre as nádegas saturado de euros, procurando paz e tranqüilidade depois de uma vida exaustiva. Afinal, o que ele tem haver com essa história?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Toaletes e Guilhotinas

Quando algo não tem nome, se apresenta apenas como uma sensação de mal-estar indefinível. Naomi Wolf, em seu livro 'O mito da beleza', mencionava que certas coisas na sociedade passam despercebidas pois não há quem as denuncie. E a denúncia é sempre uma espécie de grito em meio ao silêncio de uma humanidade acostumada.Um escritor brasileiro, pouco conhecido, tem feito este papel de maneira brilhante, com um bom toque de humor ácido, que o cotidiano merece.

Ezio Flavio Bazzo é um escritor diferente, pois seus livros são encontrados na Internet, feitos de maneira quase artesanal e publicados de forma independente. Não há como traçar um estilo para suas obras, e deve ser esta a razão de não se tocar em seu nome nos centros literários. Cada livro é único, composto de mil estórias e confissões de viagens, mostrando de forma brilhante o ser humano da maneira como ele é. Uma biblioteca dentro de cada livro. Um acervo de milhares de notas de rodapé geniais.

Apesar de parecer triste à primeira leitura, ao se conhecer a obra do escritor, tem-se a idéia de uma forma bela de descrever a vida, reconhecendo a miséria humana e aceitando-a como parte do aprendizado, para quem tem a percepção da realidade.

Os livros são como uma espécie de literatura livre, onde não há compromisso com regras gramaticais, formalidades ou mesmo com o leitor. Há apenas a vontade de escrever. Portanto, aquele que leu apenas um livro de Ezio Flavio Bazzo não sabe o que são seus livros. E muita gente não continua a ler, pois vê a si próprio neles.

Desde 'Ecce Bestia', que trata do assunto muito bem camuflado pela sociedade que é a exploração de animais para o sexo, mais comum do que se imagina, ou se quer imaginar. Ou 'A lógica dos devassos', que provoca a discussão sobre a pedofilia, um problema cercado de preconceitos entre os próprios pesquisadores do assunto. Ou 'Manifesto aberto à estupidez humana', espelho fiel da humanidade e do homem, um dos melhores livros que já li na minha vida.

A relação que temos com os escritores sempre é envolta em mistério, pois não conhecemos o autor das palavras que lemos. Muitos escritores estão mortos ou simplesmente moram do outro lado do planeta e nem sempre apreciam dialogar com os leitores. O máximo que acontece é o lamentável show de autógrafos. Mas este escritor é vivo. Tem um endereço de e-mail, responde aos leitores. Envia textos inéditos, manda presentes (livros!), está mais próximo do leitor e nos mostra, através deste comportamento, uma forma de ser muito bonita e diferente do aparente pessimismo que muitos vêem em seus livros.

Pois o livro 'Toaletes e Guilhotinas' fala de dois assuntos aparentemente divergentes, mas que têm muito em comum: a merda e a guilhotina. Além de um humor muito interessante, sobre a forma como lidamos com os excrementos, há a denúncia de que a humanidade possui em algum lugar de seus genes ou de sua psique um espírito sanguinário, que se empenha em construir mecanismos cada vez mais sofisticados para provocar o sofrimento alheio.

Sobre os animais, Bazzo escreve: "é desse fígado adulterado e canceroso que o patê (Foie Gras - em português: fígado gordo) da burguesia é feito. Oxalá lhe provoque pelo menos uma cirrose incurável ou uma Hepatite para vingar o martírio dos gansos. Quem visita uma dessas granjas fica impressionado com o desespero dos animais, que passam praticamente a vida toda sem sentir o gosto da comida. _ E os ecologistas? Perguntei-lhe. _ Não fazem nada. Pois o Foie Gras é para a França quase uma questão de Estado! O mesmo que o petróleo para os árabes e que o ópio para os birmaneses. A mim, esta pasta nojenta só revolta as tripas!".

Sobre as execuções na guilhotina e a comparação com a morte de porcos, ele diz: "quem nasceu e cresceu no campo nem precisa ter boa memória para lembrar das execuções matinais, semanais e rigorosamente macabras. Os gritos de desespero do animal, um panelão com água fervente, o verdugo afiando a faca e três ou quatro vizinhos tomando chimarrão, fumando charuto ou simplesmente assistindo a execução. Fazendo um retrospecto desses tempos e desses porcocídios me dou conta de que o matador nunca é uma pessoa comum e que existem sujeitos que 'sabem mais' do que os outros no métier da morte. Lembro-me perfeitamente bem das mãos grotescas do homem que enfiava a lâmina na direção do coração dos porcos, e que eu estava sempre do lado dos suínos, torcendo para que eles, num último ataque de desespero, conseguissem devorar a mão ou pelo menos o joelho dos matadores.

Depois, assistia a carnificina e a retirada do coração mutilado, que o carniceiro exibia orgulhoso à 'platéia', exatamente como os verdugos faziam aqui, com a cabeça dos guilhotinados. Portanto, e por mais lírico que possa parecer, estou profundamente convicto de que uma civilização e uma sociedade que é contra a pena de morte para os homens, mas que segue matando todas as outras espécies para se alimentar, para vender seus chifres, seus dentes, sua pele, sua banha, seus hormônios etc, é uma civilização e uma sociedade, narcisista, chauvinista e hipócrita que, cedo ou tarde (mais cedo do que tarde), destroçará e comerá a si própria".

E sobre a curiosa imagem de um livro de Jerry Rubin, que traz entre outras fotos a de uma mulher nua carregando uma cabeça de porco numa baixela: "vou me dando conta de como é impressionante o estágio de indiferença em que nos encontramos. Como é possível viver no meio de uma chacina e de um genocídio animal desses sem desesperar-se? Frangos, porcos, vacas, peixes, patos, rãs, camarões, coelhos, faisões, ovelhas, nenhuma espécie escapa à fome sanguinária dos homens, desses barrigudos inúteis que saem dos restaurantes de Montmartre palitando os dentes e arrotando".

O comentário sobre uma gravura onde aparece um homem matando outro homem com um machado, e um homem com um cavalo observando a cena: "gosto dessa imagem, porque nela o ponto crucial de crueldade não está na lâmina do machado, nem nos lábios do homem que pratica a violência, mas curiosamente no olho do cavalo, dirigido de maneira ambivalente e fulminante para o sujeito que está prestes a ser assassinado. Esse eqüino estaria indignado ou apenas gozando com o massacre* e com a ruína de seu dono? O que impressiona realmente, é a rapidez com que se passou do machado à guilhotina e desta à cadeira elétrica, fato que evidencia o quanto o espírito assassino está incrustado nos séculos, nos punhos e no palavreado da espécie mais predadora que o planeta já teve notícias.

* Etimologicamente a palavra massacre vem do latim, macecre, um termo que está sempre ligado aos açougues e às carnifininas".

Por Ellen Augusta Valer de Freitas

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Sobre a autora

Ellen Augusta Valer de Freitas é licenciada em Biologia, com formação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos, São Leopoldo, RS. Foi bolsista de Iniciação Científica pelo CNPq no Instituto Anchietano de Pesquisas da Unisinos. Tem experiência na área de Ecologia com ênfase em Zooarqueologia, atuando principalmente em captação de recursos aquáticos, gerenciamento de recursos hídricos, estudo da alimentação de povos indígenas, educação e pesquisa em arqueofauna em sítios arqueológicos do Projeto Corumbá, no Pantanal. Trabalha com educação de jovens e adultos, realiza pesquisa de mercado e consumo para uma ONG nacional, publica artigos regularmente, elabora projetos, palestras sobre nutrição, ética e animais, e aulas de botânica e paisagismo. Tem 30 anos, é vegana e ativista pelos direitos animais, com participação em diversos grupos no RS

Mazelas italianas



A itália ainda quer Cesare Battisti, mas esquesse que Salvatore Alberto Cacciola só foi preso e extraditado para o Brasil por que a interpol o capturou em Mônaco, senão estaria na terra de Berlusconi até hoje.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Epopeia de Um Errante


Nasci nesse mundo, eu e mais cinco irmãos. Durante meus primeiros meses de vida conheci aquilo que aqui chamam de amor. Um amor incondicional, amor materno, amor que dá a carne pela vida do outro. Aprendi a ser assim desde pequeno: sempre preferir morrer a matar, sofrer a machucar ou deixar que machuquem meus entes queridos.

Quando fiquei mais velho, descobri que a vida tinha mais a oferecer do que eu conhecia no ninho materno: um nicho de carinho e segurança. Inicialmente, fiquei inseguro quanto a qual caminho tomaria na vida, pois sempre quis estar ao lado de quem amo: minha mãe e meus irmãos.

Meu pai não conheci, diz minha mãe, era alguém aventureiro que vagava pelo mundo, lépido e sempre disposto a fazer novas amizades, mas , no fundo, escondia mágoas de alguém solitário em busca de um carinho especial e amor verdadeiro. Por ser assim tão carrancudo, fez de minha mãe apenas mais uma, mas não era de todo mau coração.

Dias atrás, já sonhava eu em seguir os passos do meu pai. Quem sabe um dia encontrá-lo pelas esquinas da vida e trocarmos ensinamentos. Minha mãe advertiu-me que o mundo fora dali não era tão belo como muitos pintavam, tampouco harmonioso, sincero e solidário. Então, eu com meus botões, fiquei a matutar de onde vinham aqueles ensinamentos tão brandos e profundos que minha mãe discursava aos ouvidos meus e de meus irmãos, se não existia mundo tão belo assim?

Um belo dia, não tão belo assim, minha mãe, com lágrimas nos olhos, disse que teria que nos deixar. Sem entender, meus irmãos e eu, colocamo-nos a instigá-la sobre essa atitude; cabisbaixa e com voz trêmula ela balbuciou:

-Meus filhos lindos, não quero que pensem mal de mim, mas as regras do jogo não sou eu quem dou. Este mundo é perverso e repleto de pessoas que são preconceituosas ao nosso respeito...Um de meus irmãos, o mais tímido, apelidado por nós, carinhosamente, de “Patinho Feio”, retrucou:

-Mamãe, é por causa de nossa cor? Antes mesmo que ela pudesse responder, ele almejou-a com uma nova pergunta:

-Porque vivemos na rua?

Meu irmãozinho não conteve as lágrimas e pôs-se a chorar em coro com minha mãe.

A esta altura da história, minha garganta começou a secar; senti como se o fogo consumisse minha laringe; não me contendo, também entreguei-me ao pranto.

Minha mãe, vendo aquela cena horrenda, revelava em seu semblante o horror da calamidade que ali se abatia.

-Meus filhos, sei que são jovens para entender, mas um dia, quem sabe, me perdoem por isso. Juntos somos frágeis, vulneráveis aos terrores que assolam esse mundo. Desprotejo vocês para sua própria proteção.

Eu, que era o mais velho - dada a circunstância da ordem de nascimento - tomei frente àquela situação, e o que minha pouca idade não revelava, nem a mim mesmo, naquele momento espalhou-se ao vento como brisa de verão:

-Mamãe precisa partir, e nós sabemos o quanto ela fez por nós, se no momento não entendemos sua atitude, no futuro a entenderemos. Não vamos fazer desse momento pior.

Minha mãe olhou-me com aquele peculiar olhar de mãe coruja, orgulhosa de ver as vitórias de seu pequeno filho prodígio. Mas o instante, apesar de eterno, acabou-se logo; daquele jardim suntuoso que florescia entre nós, fomos remetidos à tragédia consumada: a despedida.

Carinhos e afagos demorados não faltaram; todos queriam uma vez mais, sentir o doce e familiar cheiro de mãe, como se quiséssemos guardar conosco para eternidade o que de mais valioso foi-nos dado: nossa mãe. O amor verdadeiro.

Ao longe, os passos lentos dela foram se perdendo. Quando as retinas atentas e pescoços esticados já não podiam delinear a silhueta daquela por quem nossas lágrimas escorriam, a tristeza tomou conta de nossos corações; fomos tomados por uma sensação inexplicável de incredulidade.

Daquele momento em diante senti como se já não mais fosse completo, como se uma parte vital de mim tivesse sido jogada a esmo, a vagar pelo mundo.

O tempo passou; os sentimentos não. Contudo, eu e meus irmãos, com a idéia amadurecida de continuar a vida, decidimos também separarmo-nos e seguirmos a vida, como aconselhou nossa mãe.

Tanto eu como eles sabíamos exatamente o que procurávamos: queríamos reencontrar a parte que nos faltava. E assim fomos, cada um no sentido de um vento, para, quem sabe, um dia, com vidas restituídas, pudéssemos juntos comemorar vitórias.

Infelizmente esses sonhos de desbravadores inexperientes não se concretizaram; aos poucos entendi o que minha mãe quis dizer com mundo cruel.

Nas ruas de uma grande cidade, pus-me a caminhar em busca de alguém para proteger, e que, em troca, desse-me amor. Infinidades de rostos encontrei, todos com feições sofridas, homens e mulheres não amados, tão secos que pareciam serem feitos de pedra. Tentei deles aproximar-me para amá-los, e, quem sabe, curar as feridas que a vida os fez. Mas foi em vão, a falta de amor dessas “pessoas” parece tê-las feito mal, em lugar do amor, cobriram o espaço vazio com ódio.

Sou persistente, minha raça me fez assim: forte, lutador, destemido. Entretanto, o ódio desse mundo é infindo, parece brotar do concreto. A solidão é dividida em grandes muralhas muradas, cercadas, que protegem uns dos outros. Olhando daqui de baixo, vejo irmãos, ou meio irmãos, sejam o que for, são muito parecidos entre si, mas quando se cruzam, fingem não se ver. Não me admira nada que a mim sobre apenas o descaso. Se não amam a si próprios - seres que se dizem superiores aos outros por serem de “raça pura”, seres intelectualizados, sábios, responsáveis por tudo que há de melhor no mundo - o que restará a mim e aos meus irmãos, seres da raça inferior? Sou desconhecedor de teorias nazi-fascistas e sistemas escravocratas , mas sei muito bem, que em épocas remotas - nem tão remotas assim - uns eram considerados lixo e outros ouro, e que ainda hoje existe resquícios dessas linhas de pensamento . Com certeza eu não sei exatamente o que aconteceu, mas ainda sinto no meu couro as conseqüências dessa segregação. Não guardo ressentimento, queria apenas que tudo voltasse a ser como era em um lugar que, se não me engano, é chamado Éden; lá, todos viviam em paz e amor, exatamente como no ninho da minha mãe. Lá não existia raça, todos eram iguais.

Mas o tempo é inabalável e continua a passar. A tecnologia de que tanto falam, fez-me saber que eternizou a mais alguém: meu irmão do meio faleceu em mais um trágico acidente de carro. Um senhor de meia idade, aparentando seus 20 anos, corria muito, acredito eu que devia ser uma emergência, pois ao ver meu irmãozinho, distraidamente atravessando a rua, não pode parar, nem ao menos para prestar socorro ao coitadinho que, segundo testemunhas, sofreu muito até ser socorrido pelos longos braços da morte.

Não pensem vocês que não sofri. Sofri e sofro muito, mas eu entendo o mecanismo da vida. Uns morrem para outros sobreviverem. É assim. Fazer o quê? O que eu e minha raça podemos fazer?

A tragédia, não sei eu onde termina nesse mundo, sei, apenas, onde terminou para mim. Em um belo dia, belo mesmo, estava eu com fome, frio, dor e exausto quando vi ao longe duas pessoas que pareciam ter sorrisos nos rostos. Corri em direção a elas. Deparei-me com dois jovens que realmente sorriam muito. Na hora fiquei extremamente comovido com o achado: pessoas com amor no coração, pensei eu.

Fiz o que havia ensaiado a vida toda, um ritual complexo de demonstração de carinho e agrado. Funcionou, levaram-me para um lugar mais calmo, onde eu acreditava que me dariam de comer, pois estava faminto; mas também, se não dessem, o mais importante eu havia encontrado: a amizade.

No início achei que estavam se divertindo mais do que eu, pois riam entre si. Achei melhor não importunar, de repente poderiam estar achando-me engraçado.

Mais tarde um pouco, enquanto eles preparavam alguma coisa - que eu acreditava ser algo de comer - comecei a sentir que algo não estava totalmente certo. Quando aprontaram o que faziam, começaram a se aproximar, senti em seus olhos um olhar diferente daquele de outrora, parecia intricado, até, quem sabe, sádico... A brincadeira perdeu a graça para mim, quando senti em meu corpo o fogo lacerar minha alma, corroer minha vida aos poucos. O cheiro da gasolina queimando sobre meus pelos, fritando minha carne sufocava minha respiração. Enquanto as labaredas arrancavam minha pele, contraíam meus músculos que tremiam frenética e involuntariamente, fui perdendo a noção de tempo e de espaço. Não posso dizer se meus latidos eram tão altos de dor, medo ou tristeza. Não foi pouco tempo, mas também não durou uma eternidade. A dor aos poucos deu espaço ao cansaço, fui deitando-me aos pés daqueles que foram meus carrascos. Não sentia raiva deles, afinal eram seres inferiores, incapazes de saber o que se passa dentro de um coração de verdade. Todavia, ficava em meu peito a incompreensão: o que leva alguém a agir assim? O que esse planeta tem de tão atrasado que faz de seus habitantes instrumentos de destruição e tortura? Que culpa meus irmãos e eu tínhamos de existir vagando nas ruas corações traídos, maltratados e humilhados? Será que fomos nós os responsáveis por essa vida injusta que habita esses corações negros? Será que não foram vocês mesmos que plantaram essa semente de dor e insegurança em seus corações? Será que à noite, quando sua filha linda, perfumada e bem arrumada sai para se divertir, aquele pensamento renitente que soa como mal agouro o tempo todo ao seu ouvido, não é o reflexo daquilo que você cultiva durante o dia? Não será medo de que o universo cobre pelo descaso dado por você ao que está à sua volta?

Eu não estou mais aí, não pude realizar o sonho da minha mãe: conquistar o mundo. Mas agora eu sei o que ela quis dizer. Eu entendi ao que ela se referia quando dizia “mundo mau”. Esse é um ambiente dominado pelos animais: seres irracionais que vivem vidas mortas, os quais têm medo uns dos outros, temem a morte, pois sabem que matar está em seu sangue, sangrar está em seu destino. Meus irmãos e eu não tínhamos medo porque não conhecíamos as trevas. Agora eu sei, acredito que meus irmãos também, a grande maioria deles pelo menos. Sei que apesar de uma vida curta, vivi e morri sem mágoas, sem arrependimentos. Não pude fazer bem a ninguém, pois não deixaram; mas também não fiz mal. Àqueles que me fizeram sangrar, deixo meu perdão e estimas de evolução; todos merecem uma segunda chance. Àqueles que na rua seguiram sem a mim notar, desejo-lhes sorte, vão precisar; esse mundo é trágico. Se não conheceram minha história, a conhecerão em outros corpos, senão de um Canis familiaris, a presenciarão em corpos de, quem sabe, entes próximos, muito próximos. O mundo é comum a todos, suas atribuições também. O que acontece a um, pode acontecer a todos. Não desejo tristeza a ninguém, mas me ensinaram que não se deve jamais interferir em um ciclo biológico. O homem está na teia alimentar do homem. No genoma humano está inscrito a morte, tristeza e muita dor.

Eu estou livre das algemas desse mundo, mas meus irmãos não. Ainda têm muitos deles soltos, abandonados; pobres guesas, andarilhos em busca de amor e carinho. Se tiverem racionalidade ainda, por favor cuidem dos meus irmãos. Somos fracos. Nossas patas não foram feitas para matar. Não sabemos nos defender. Não acreditamos em defesa, pois não conhecemos o ataque. Vivemos nossas vidas com um único objetivo: o de poder um dia tornar mais viva a vida de alguém que ama viver tanto quanto nós.

Onde Moram Os Senhores da Guerra?




O que há em comum entre semitas e africanos? Para um etnólogo essa questão deve ser extremamente simples, visto que ambas as civilizações se desenvolveram muito próximas uma da outra, provavelmente sofrendo influências recíprocas. Uma reflexão contemporânea mais aguçada, entretanto, mostra-nos que, apesar de tão semelhantes, existe um abismo entre elas.

Em um conflito que durou pouco mais de três semanas, morreram cerca de 1300 pessoas da população da faixa de Gaza e pelo menos 10 soldados israelenses, sendo que destes, 3 foram por fogo amigo.

A mídia já calejou o mundo com notícias de inumeráveis batalhas, acordos não cumpridos e muito sangue do conflito árabe-israelense revisitado. Toda a massa de hipnotizados pela janela alienante está a par de cada detalhe, e de cada –suposta- razão que move, e moveu essa sangria desenfreada e ignorante entre povos irmãos. Contudo, se deve fazer uma ressalva a dados curiosos: a mesma mídia que perpetua capas de jornais de alta circulação com informações do conflito “pop”, é a mesma que ainda está encabulada em relação a existência de um conflito de proporções incomparáveis. Enquanto a faixa de Gaza foi – literalmente – um palco de atrações para todas as grandes agências de notícias do mundo, que acompanharam dia-a-dia, tiro a tiro o desenrolar dessa novela oriental, findada com um saldo total de aproximadamente 1310 mortos, Darfur segue seu martírio que perdura, oficialmente, desde 26 de Fevereiro de 2003, e que nesse relativo curto espaço de tempo já vitimou mais de 200.000 pessoas, segundo estimativas – “otimistas”- de ONGs que unem esforços no local para voltar as atenções do mundo a esse sangrento genocídio.

A questão é: por que um conflito no norte da África, entre tribos desnutridas e milícias despreparadas, se estende por tanto tempo, causando tanta destruição sem a intervenção das “grandes nações”? O que motiva esse descaso? Onde está o Conselho de Segurança da ONU? E os riscos que essas milícias podem trazer ao ocidente se resolverem, porventura, apoiar o terrorismo? Onde está a política de segurança nacional norte-americana? Saddam Hussein foi sentenciado à morte pelo massacre de 148 xiitas da aldeia de Dujail. Se assassinar 148 pessoas – número provavelmente “irrisório” nas listas de muitos de nossos famosos traficantes cariocas – é suficiente para ser condenado por crimes contra a humanidade, porque um mesmo tribunal não é implantado imediatamente para encerrar com essa lástima africana? Ou melhor, porque, além disso, não se é instaurado,concomitantemente, um outro tribunal para avaliar a ação israelense na faixa de gaza? A morte desses 1300 palestinos, considerando que dentre eles aproximadamente 700 eram civis, e ao menos, 400 crianças, soa como um extermínio desmedido, genocídio. Essas palavras bastante ligadas à, em muitas vezes, dolorosa história hebraica, deveriam ser a mola propulsora de campanhas judaicas ferozes visando coibir toda e qualquer atitude que remonte os tempos do holocausto; pois quem cala consente, e não deveria ser assim, nem na África, tampouco no jardim judeu.

O que está havendo? A ascensão de Barack Obama ao trono, dia 20 de Janeiro, garantiu a completa retirada das tropas Israelenses no dia subsequente do território palestino; entretanto, apesar das incontáveis publicações revelando a orgulhosa descendência queniana no imperador do mundo, as tropas dos janjawid, a milícia armada possivelmente apoiadas sorrateiramente pelo governo sudanês, continua sendo a algoz do genocídio africano.

Não se pode resumir ou simplesmente restringir a uma ou duas razões as causas que levaram a conflitos tão complexos; a política é um imbróglio caótico. O conflito armado com o Hamas e a política ambiciosa e irracional movida pelo capitalismo selvagem neocolonialista do século XIX, cuja política de partilha da África colocou tribos rivais, de culturas dissonantes, em um mesmo território, como no caso de Darfur, não são os principais motivos que fazem essas guerras e genocídios se estenderem – ou não. Existem muitos interesses externos; principalmente interesse em angariar apoio da opinião pública. E, para isso, segue o jogo de xadrez com vidas humanas; segue a banalização do direito à vida, mas jamais a banalização do direito à propriedade.

Conflitos criados, genocídios ignorados. O que é interessante é esmiuçado, sugado, aproveitado ao máximo. O que não o é, é relegado ao um segundo plano, ignorado completa e absolutamente. Nessa montanha russa que é o capitalismo consumista e sedento, a guerra é um promissor investimento; com individualização dos lucros e socialização das perdas.

Assim é a vida: uns morrem para outros viverem – e viverem muito bem, diga-se de passagem.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

ALICE



Lebres e cortesias
Pegue seu cogumelo para mim
Dai-me a chave dourada
Da pequena porta que leva ao jardim
Deite na palha fofa
Alice
Que maravilha de país

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Túnel do Tempo



Apesar de ter 94 anos este pensamento parece que foi escrito hoje …“De tanto ver triunfar as nulidades,de tanto ver crescer as injustiças,de tanto ver agigantarem os poderes nas mãos dos maus,o homem chega a desanimar da virtude,a rir-se da honra,a ter vergonha de ser honesto.”Rui Barbosa, 1914

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

As coisas mudam



Devido aos últimos acontecimentos musicais no Brasil concluo:


Marcelo D² não fuma mais maconha!


Rita Lee não protesta mais contra os rodeios, e os mal tratos aos animais!


Lobão não quer mais CDs númerados


Depois de tanto meter o malho no formato acústico da MTV nosso herói dantesco sucumbiu ao desejo irrefreável de faturar uns trocado$$$. De certa forma apesar dos pesares (toda ideologia já foi por água abaixo mesmo) o DVD até que ficou bom rapá!!!!!!!
Confira aí então os maiores sucessos do "Lobinho" como Decadance Avec Elegance, Me Chama, Rádio Blá e Corações Psicodélicos dentre outros. E Lobão será que vc vai ter coragem, ou moral, pra sustentar algum discurso panfletário depois de uma dessas?


Quem poderá nos ajudar


PS. Só falta Lobão voltar a ser amigo de Hebert Vianna parafraseando FHC:

- esqueçam o que eu escrevi!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Psicodelia pós ye ye ye

Faixa do segundo e mais psicodélico LP da cantora Vanusa, lançado em 1969, Atômico Platônico é uma das faixas composta por Jean Garfunkel e Fernandes que passou despercebida do grande público.

Frente ao seu tempo, o disco não foi entendido pela crítica da época e foi massacrado pelos chamados "especialistas em boa música", assim como aconteceu com Ronnie Von quando lançou no mesmo ano o emblemático álbum psicodélico, hoje reverenciado por todos.

No caso de Vanusa, que no ano anterior já tinha colocado o pé na psicodelia com a música "Mundo Colorido", de sua própria autoria, o trabalho começa a ser reconhecido, tanto que o disco já foi relançado em CD.

Vale destacar que, neste disco, apenas a faixa "O que é meu é teu" composta pelo cantor Silvio Brito - obteve relativo sucesso.

Outro destaque é a capa, assinada por Tebaldo, onde a cantora aparece em foto tremida, meio desfocada, com cores embaralhadas, para dar a impressão de movimento, forjando uma imagem psicodélica.

O LP foi produzido por Osmar Daumerie e teve arranjos do maestro Portinho, com direção artística de Alfredo Corleto e coordenação artística do cantor e compositor Fábio, namorado da cantora na época, e que tem em seu currículo a psicodélica "Lindo Sonho Delirante - LSD", de 1968.Confira a letra de Atômico Platônico:

Meu coração explodiu de saudade

Sob os efeitos da radioatividade

Eu fiquei a chorar, a chorar...

Procurando encontrar

Numa explosão nuclear

O meu amor, o meu amor...

Atômico, platônico... (2x)

Busquei nas estrelas

Outras formas de sonhar,

Busquei na imensidão

O seu doce e meigo olhar...

Atômico, platônico... (3x)

Meu coração já se desintegrou

Nessa cruel triste guerra de amor...

Atômico, platônico... (5 x)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

TOSTINES DO POETA II



"O povo vê novela por que é alienado,ou é alienado por que vê novela?"

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Psicodelia tropicalista

Psicodelia (no Brasil) ou psicadelia (em Portugal) é uma manifestação da mente que produz efeitos profundos sobre a experiência consciente. O termo "psicodelia" origina-se da composição das palavras gregas psiké (ψυχή - alma) e delos(δήλος - manifestação). A experiência psicodélica é caracterizada pela percepção de aspectos da mente anteriormente desconhecidos ou pela exuberância criativa livre de obstáculos.
Experiência psicodélica ou estado psicodélico é um conjunto de experiências estimuladas pela privação sensorial, bem como por substâncias psicodélicas (daí a associação com o efeito de algumas drogas/medicamentos). Essas experiências incluem alucinações, mudanças de percepção, sinestesia, estados alterados de consciência e psicose.*

O que define uma manifestação artística psicodélica?
É ser o mais sensorial possível.Gritos imagens e letras psicoticamente questionadoras também.


*fonte Wikipédia

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Jupiter Maçã



Lançado na Espanha, pelo selo Elefant, “Uma Tarde na Fruteira” [o disco era para ser chamado Una Tarde En La Fruteria], consolida mais uma vez um ótimo trabalho, tal como foi o “A Sétima Efervescência” [lançado em 1996 pelo selo Antídoto e depois relançado nacionalmente no ano seguinte pela Polygram].
O disco carregado de hits “funciona”, digamos assim, como uma coletânea lá fora, pois no total são 17 faixas, sendo 10 do próprio Fruteira, 3 do Plastic Soda e 4 do Hisscivilization. A capa apresenta um lay-out de capa reverenciando a gravadora carioca Elenco que lançava discos de bossa nova nos anos 60, além do encarte com as letras.
Começa com: “A Marchinha Psicótica de Dr. Soup” e suas atmosferas tropicalistas, “Tema de Júpiter Maçã” coloca The Kinks e The Who no mesmo liquidificador, “Base Primitiva Revisitada” e “Act Not Surprise”, ambas tem a participação de Zé do Trumpete no respectivo instrumento. “Menina Super Brasil” é uma das melhores, é bem dançante.
“Little Raver” tem um instrumental Simon & Garfunkel e um belo refrão. “Síndrome de Pânico”, outro petardo apresentando alguns riffs perdidos das sessões de gravação de Rubber Soul dos rapazes. “Um Sorvete com Vocês” parece que você está em 1967 escutando Os Mutantes (!).




Sinto muito quando penso que as pessoas gostam de vê-lo no pior estilo Syd Barrett (e no andar da carruagem fica fácil perceber que ele tem de tudo para se tornar um) e fico triste em pensar que essa genialidade toda esta relegada a um país de terceiro mundo que não valoriza seus artistas e que nem sequer sabe disso. Não tem cultura suficiente para cuspir na estrutura como diria o bom, velho e morto Raul Seixas. Não tem sensibilidade para entender os processos artísticos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Tostines do poeta



"O povo não sabe votar por que é burro,ou é burro porque não sabe votar"?

Âmago do ser


Quando retornei do vale das sombras
Olhei-me no espelho
Meu rosto descrevia todas as dores
Todo os amores em vão
Todo tempo que havia perdido
Não contente com essa visão Dantesca
Olhei no fundo dos meus olhos
Senti um alívio
Olhei novamente para ter certeza
Não tinha dúvida
Minha alma não estava lá
Menos mal
Pelo menos é só o corpo
Que sofre nesse mundo infame

domingo, 25 de janeiro de 2009

Grande irmão abre vagas



O New York Times após a badalada inauguração do seu prédio de 57 andares na rua 42 de Manhattan,navega pelos turbulentos mares da crise mundial.

Ventila-se falência ou a venda do grupo que está nas mãos da família Sulzberger desde sua fundação.

Mas se alguém emprestar a bagatela de 225 milhões; a fábrica de estórias sobrevive.

Se o times falir quem irá fazer o agendamento de mentiras no mundo?

sábado, 24 de janeiro de 2009

O Fim da Noite


A noite abraça-me fria na calada da alta madrugada. Estou só, a lua é minha confidente. O infinito parece a cada instante mais próximo das minhas mãos. Meus sonhos, meus temores e incertezas afogam minha alma; sufocam meus gritos.
Esse duelo noturno acompanha-me até o amanhecer; não tenho sono, não tenho insônia. Estou sóbrio, embriagado de tédio e angústias indefinidas. Quando o sol pedir licença, retirar-me-ei deste palco; esperarei novamente meu ato.
A vida é uma tristeza quase absoluta; rotinas cíclicas, infinitas. Trabalhos intermináveis.
Todas as manhãs, milhões de seres, em marcha fúnebre, dirigem-se às paradas dessas grandes cidades. Aglomeram-se, atrolham-se em pequenos espaços. Sono nos rostos, tristeza nos pensamentos. Qual o objetivo disso? Onde isso levará? Que fim encontraremos para além dessa vida? Semanas inteiras passadas em branco à espera do fim de semana. Não é o tempo que estamos matando, é a nossa vida que está morrendo.
Não vislumbramos os jardins, tampouco nossos parentes. Pensamentos a mil, vidas a dez. Estamos destinados a envelhecer,e, a beira da morte, compreender que tudo aquilo que passamos, passamos em vão. Será tarde, o tempo é imutável, o fim não. Viver o agora, é mais do que viver o presente, é garantir vida no futuro.
E mais uma vez o sol expulsa-me. Voltarei ao meu ciclo noturno e esquecerei dos sentimentos sentidos quando não estava em posse de minha razão.


Onde Acaba O Que Começa


Existe um mundo dentro de mim. Existem pensamentos ao meu redor. Existe um enorme buraco sobre minha cabeça. Existe uma solidão em que o silêncio sufoca meus tímpanos e cega minhas narinas. Existe um barulho insuportável vindo de dentro do meu peito; é a angústia que explode para fora dos meus poros; é o medo que apavora minha coragem.
Sinto-me cada vez mais feliz por estar tão distante da realidade e cada vez mais próximo da tristeza, dos prantos da madrugada.
Tenho medo quando a noite chega, pois com ela a solidão. Tenho medo quando ando só abaixo da lua. Adoro a euforia da morte; suplico o cheiro das flores sobre meu corpo.
Não existe mais um conjunto, existe uma única parte do quebra-cabeça. Quero voar para apagar o fogo do meu coração. A liberdade me espera por de trás das grades que me aprisionam.
Posso correr, posso flutuar no mar; agora estou só, não existe mais o impossível. Meus olhos só vêem o que minha mente traça. Meu caminho é longo, meus passos também. A morte não existe, é a vida que acaba.
Meus olhos sangram, meu sangue fervilha, minha vida é eterna, minha morte me acompanha.
Quero a insanidade sempre ao meu lado; minha melhor amiga, a única que me entende. Quero música urgente nos meus ouvidos. O som me maltrata, não quero sofrer. Sou sarcástico,
masoquista. Sua face me causa ira; ótimo! Adoro pecar. Quero ver-te em flores mortas.
Não penso, não reflito, sou apenas um instrumento da sociedade, aprendi a repetir estrofes, refrões de músicas e poesias que de beleza somente o poder de manterem olhos e ouvidos atentos à espera de uma palavra de sabedoria.
Sou triste, sou alegre, sou sábio, sou tudo, sou nada. Neste momento, em que me encontro comigo mesmo, não encontro nada. Nesta hora, em que só existe o não existir, minhas mágoas não têm fim, e meu fim não sei quando começou. Quero viver aqui dentro, dentro de mim. Colocar flores amarelas nos vasos e perfume nas paredes. A cortina negra que cobre minha alma quando eu não estou é espessa, não quero tirá-la; ela impede que a luz de fora ofusque meus olhos ao ver quem realmente sou.
Meus pensamentos ludibriam minha paciência. Sinto-me melhor em agora saber que sou feliz; minha infelicidade compõem meu talento de ser alegre. Minha melancolia conforta meu ego. Preciso de mim, preciso de todos, mas principalmente não preciso de ninguém para ser quem eu sou.

A Realidade do Burguês


Existem inúmeras realidades por trás de cada uma existente na vida. Não sei por que me sinto assim, querendo fazer do meu tudo nada; tendo medo de não chegar a objetivos que nunca tracei.
Minha vida de repente cai em um abismo, onde a presença de todos me traz solidão; em que o fim parece tão mais simples que o início.
Não quero ter de desistir, também não sei do que posso desistir, apenas quero mudar, quero diferença em minha vida egoísta e ambiciosa, na qual quanto mais consigo, menos me realizo. Uma vida que eu posso ter tudo, e mesmo assim não dou valor para nada.
É engraçado como as coisas ocorrem, quando acordamos para vida, somos pessoas que são dignas de uma vida completa, entretanto, ao mesmo tempo, de uma vida vazia. E dentro dela se projeta um ciclo eterno que não para de girar no mesmo lugar, fazendo do meu peito algo nem um pouco interessante para se ficar.
Tenho tudo e todos que quero e preciso, mas percebo que preciso tanto de tudo que acabo me tornando nada. Nada mais que um número em meio a uma selva de rotina e planos de burgueses interessados em ter mais do que os outros.
Eu não posso ser daqui, meu mundo não pode ser assim. Quero uma vida nova, um eu mais feliz e alegre; quero que minha depressão não se torne apenas um momento baixo da minha personalidade, mas sim a hora de conhecer-me a fundo e ver de que nada adianta plantarmos as melhores sementes, pois na terra somente vingarão as sementes mais bem cuidadas. Quero poder cuidar da minha semente, quero esquecer dos medos que me afugentam.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Obama o dono do mundo



Agora só se fala em Obama,como se ele fosse presidente do mundo,mas na verdade é, então vamos ao seus comandados:

Obama irá ter algum problema de gestão,como acontece a todo gerente novato em uma equipe.O gerente Obama irá traçar o perfil comercial de sua empresa.
Obama é um empresário desenvolvimentista;irá começar pelos empregados menos qualificados.
Ao descer no celeiro de sua empresa Obama visitou sua equipe de produção.
Na entrada não estava a lista dos encarregados de cada setor;Obama furioso criou uma lista na hora,perguntando pessoalmente para a "pionada" quais eram os seus nomes,pois ele irá fazer um crachá azul de cartulina escrito a pincel atômico vermelho,o nome da jaguarada:

Luiz Inácio Lula Da silva-Brasil (Não é bem visto pela empresa mas ainda traz lucros)
Chile - Michelle Bachelet
Rafael correa-Equador (Funcionário revoltadinho,mas daqui a pouco irá aceitar as normas da empresa)
Cristina Kirchner -Argentina (Por ser a funcionária gostosinha da empresa,e faz quase tudo o que o chefe manda a deixaremos em Stand by)

Lista negra
Sindicalistas com estabilidade.
Infelizmente a empresa não pode demitir essas criaturas horrendas comedoras de criancinhas

Venezuela-Hugo Chaves (O funcionário brigão que sabe a intensidade da força popular)

Bolívia-Evo Morales (Puxa saco de Hugo,daqui a pouco em nome da guerra as drogas uma bomba caí no seu departamento)

Agora os futuros paus mandados de Obama.

Uruguay - Tabaré Vázquez
Peru - Alan Garcia (Que tem aversão de latinos)
Colombia - Álvaro Uribe (aluno exemplar)
Guiana - Bharrat Jagdeo

PS. Tem a Guiana Francesa - Antoine Karam presidente do Conselho do SEAS,mas é área do Sarkozi, Obaminha não se mete.

O Retrato Avesso de Um Ser


Em momentos assim que sinto meu corpo flamejar, minha mente entorpecer-se de ódio; um rancor inexplicável que faz um sangue espumante ser expelido em forma dos mais variados impropérios ao mundo.
Quero matar, não posso controlar. Meus punhos suplicam sangue; minha consciência quer sentir-se culpada por algum crime hediondo cometido em momentos de descontrole psicológico.
Sou pesado, não consigo respirar. As paredes sufocam meus sentimentos. O som que estridente brota dos alto-falantes apontados para meus ouvidos ensurdece-me; esconde meus instintos; camufla meus gritos.
O satanismo inexistente existe; cultuo o morto e o assassino. Sou o carrasco do meu próprio ser; executo e sou executado.
A navalha penetra na carne e derrama o sangue que é o combustível de um corpo sedento; de um ser noturno que vaga soturno pelos locais mais insalubres da noite.
Aqueles pensamentos lúgubres envolvem meu ser. A essência mórbida do ar que desliza do cemitério até minha face percorre um longo caminho até chegar ao fundo do meu coração e ali plantar a semente do eterno.
Aos poucos aqueles sentimentos vão esvaindo-se, tão lentos e graduais como surgiram. Tão sensíveis como o impacto que causaram.
Daqueles momentos de devaneios insanos, o que resta são as lembranças vertiginosas de uma viajem ao desconhecido, o conhecimento do interior negro que habita meu âmago.
Sou a jaula de um demônio incontrolável; o béquer de uma substância instável e destrutiva. Meu corpo é a prisão do criminoso mais pecaminoso que a humanidade conheceria; o tirano mais inescrupuloso, cuja ira submeteria a nação à desumanidade completa.
A humanidade é assim composta de elementos visivelmente idôneos, mas que na verdade não passam de mais um complemento da real natureza primata e selvagem dos homens: únicos seres pertencentes ao meio terráqueo que premeditam os mais capciosos crimes, seja contra a pureza da natureza, seja contra a podridão de si próprios.
Um retrato de um ser ao avesso, que acima de tudo é humano: a pior de todas as aberrações que vaga pelos espólios desse universo.

Onde Foi Que Marx Errou?


Mais um ano em que o sistema de cotas está em vigor na UFRGS, e mais um ano em que seu “objetivo” não é cumprido. Negros continuam relegados a um segundo -ou terceiro- plano, e nossos verdadeiros necessitados sequer sabem o endereço de nossa universidade...

O sistema de cotas é falho, pois beneficia não àqueles para os quais as cotas deveriam ser direcionadas: vestibulandos de baixa renda que nunca tiveram oportunidade de se dedicar integralmente aos estudos, devido à necessidade de conciliar a carreira profissional com as aulas, e assim poderem cooperar com as despesas domésticas de uma família que, em muitas vezes, têm um número expressivo de integrantes dependentes única e exclusivamente da renda deste futuro vestibulando.

Então, supondo que por alguma razão, este estudante que não teve oportunidades de estudar, pois deveria trabalhar durante a maior parte do dia, venha a passar no vestibular beneficiado pelo sistema de cotas, como ele, agora, conseguirá administrar seu tempo para que possa realizar as cadeiras da universidade federal gaúcha, sendo que nela os horários não são fixos e se misturam em períodos de manhã, tarde e noite? Se este estudante puder abandonar seu emprego para cursar a universidade - em que a maior parte dos alunos não trabalha - ele não precisaria ter ingressado apoiado ao sistema de cotas, pois poderia investir seu tempo que, agora (aprovado) dispõe, para se preparar e atingir a pontuação necessária.

É exatamente isso o que o sistema de cotas faz: mantém a exclusão. Pois aquele estudante que verdadeiramente dependeria das cotas, ou não é atraído para a universidade por não poder manter o sustento de sua família, ou é desclassificado durante o processo, que como sabemos, é de alto nível de dificuldade, e que, dependendo do curso escolhido, só é possível a aprovação - mesmo apoiado às cotas- mediante a um excelente programa de estudos, e, segundo às opiniões favoráveis às cotas, alunos egressos de escolas públicas não dispuseram desta ferramenta. Não bastando isso, o estudante que realmente dependeria das cotas, caso não seja desclassificado pelo ponto de corte, no momento de competir com seus adversários, também "cotistas", perde sua vaga para aqueles que desfrutam indevidamente da oportunidade das cotas.

Alunos que desfrutam indevidamente das cotas são aqueles vestibulandos, em sua maioria de classe média, que estudaram em escolas públicas por estas estarem mais próximas de suas residências - não havendo necessidade do uso de conduções-, por exemplo. Ou que na família já exista um irmão mais velho cursando alguma instituição de ensino privada, e este estando mais próximo do vestibular, faz com que sua família, por não ter condições de pagar para ambos, e afim de assegurar a possibilidade da aprovação em uma universidade gratuita, abdique do ensino do mais novo, o qual, entre outros motivos, pode ter adquirido vínculos de amizade na escola, o que o faz optar por cursar toda sua carreira escolar em uma instituição pública. Além desse exemplo, existem muitos outros que podem levar alguém com condições de pagar uma escola particular, optar por matricular seu filho em uma escola pública, e assim poder, com o dinheiro economizado durante os anos letivos, investir em cursinhos pré-vestibulares que, como se sabe, é o que faz a diferença na hora de garantir uma vaga na universidade. Por outro lado, famílias sem necessariamente condições de pagar uma escola privada optam por fazê-lo na esperança de garantir a aprovação em uma universidade pública, pois se comparado o custo do ensino médio com o do superior é sabido a diferença exorbitante. Como conseqüência, os cotistas estarão tão preparados quanto os não-cotistas – e em alguns casos, até mais-, como exemplo, o que ocorreu no concurso vestibular UFRGS/2008 e UFRGS/2009, em que alunos, oriundos de escolas públicas, prestaram vestibular para medicina e obtiveram uma pontuação mais alta do que muitos dos primeiros colocados pelo acesso universal.

O eufemismo das cotas para auto declarados afro descendentes remonta – ao meu ver- escamoteadamente uma época da história em que judeus e alemães tinham momentos diferentes para cruzar a rua; estabelecimentos restritos a não judeus e outras formas irracionais de segregação. Entretanto, hoje, parecemos estar apoiando esse – vejam as aspas- “bom nazismo”, o qual segrega, diferencia etnicamente e, em última análise, humilha. Mas será mesmo por uma boa causa?

Temos poucos negros em nossa universidade? Sim, é fato estatístico, todavia as reformas de base deveriam iniciar pela base do problema e não pelo topo da pirâmide.

O estado é único, e prima de mesma forma para todos. Se as instituições de ensino público são responsabilidades do governo e a atenção é dada de maneira igualitária para todas as escolas, como pode um aluno declarado cotista - por não ter as mesmas oportunidades de estudo que os não cotistas - alcançar uma pontuação superior à maioria das conseguidas por alunos ditos “melhores preparados” (escolas particulares)? Por qual razão, alunos cotistas classificados nos primeiros lugares pelas cotas em seus respectivos cursos conseguiram médias superiores a inúmeros outros classificados pelo acesso universal?

Existe um grande abismo que separa a oportunidade de estudo da regalia desmedida. Alguém com ambição de mudar seu quadro social através dos estudos deve apoiar-se em seu esforço e mérito, e não em uma brecha - proposital ou não- deixada no sistema de seleção.

O Brasil quer igualdade, quer progresso? Pois bem, todos queremos. Apoiamos incondicionalmente a inclusão social, entretanto uma inclusão realmente inclui quando nenhuma parte do todo é retirada. Caso contrário, não estamos à beira de uma revolução social, mas sim de uma substituição disfarçada.

O grande donatário de privilégios não é a direita nem a esquerda, mas sim o estado que agora pode esbanjar dados favoráveis quanto ao ingresso ao ensino superior, e conseguir esmolas dos financiadores internacionais.

A reforma não deve ser somente paliativa para sanar problemas gritantes, deve ser de base e bem estruturada. Não devemos abrir as portas das nossas universidades a “pseudocotistas” -despreparados e oportunistas -, mas aperfeiçoar o ensino e dar oportunidades iguais àqueles que realmente querem estudar. Para assim fazer, devemos expandir significativamente projetos de cursos pré-vestibulares gratuitos, onde só chegarão vestibulandos realmente interessados em alcançar um lugar na vida.

Queremos estudar? Comecemos agora! O vestibular é a melhor forma de testarmos nossa capacidade de obstinação. Pular esta etapa é chegar ao fim profissionalmente desqualificado.







Cesare Battisti


Cesare Battisti - por Mino Carta
Sempre me encantou uma frase de Samuel Johnson: a pátria é o último refúgio dos canalhas. Verifico que também pode ser dos desinformados. A decisão não é da Justiça, e sim do ministro da Justiça. Contra o asilo tinham se manifestado o Conare, órgão competente, no caso, e o Itamaraty. Cacciola não foi extraditado pela Itália por ser cidadão italiano, assim como Biggs, o ladrão inglês, não foi extraditado pelo Brasil por ser pai de brasileiro. Quando caducou a chamada doutrina Mitterrand, que dava asilo até a terroristas condenados por sentença passada em julgado, a França decidiu extraditar Battisti e por isso ele fugiu para o Brasil. Depois de anunciada a decisão do ministro Genro, o presidente não poderia dizer senão aquilo que disse na noite da quinta-feira passada. Outro ponto em que os desinformados naufragam diz respeito à situação política da Itália. Por obra e graça das manobras organizadas no Brasil pelos defensores de Battisti, espalhou-se a convicção de que a extradição foi solicitada pelo governo direitista de Silvio Berlusconi. Nada disso, o pedido partiu do governo anterior, de centro-esquerda. O terrorismo, desde seus começos, foi condenado pelo Partido Comunista e hoje seus herdeiros tomam enérgica posição contra a decisão do Brasil. Mais uma questão. A soberania da Itália não vale nem mais, nem menos que a do Brasil. Mas a afronta ao Estado italiano e à sua Justiça é evidente. O ministro Genro arroga-se o direito, em lance de inaudita prepotência, e diria também de ignorância, de contestar uma sentença em julgado na Itália. Que diriam nossos patriotas se um ministro italiano se dispusesse a discutir a condenação de um cidadão brasileiro por um tribunal brasileiro? Inacreditável. Genro conseguiu, porém, ir além, na esteira, aliás, do professor Dalmo Dallari, ao afirmar que devolvido à Itália, Battisti correria até perigo de vida. A Itália não é Darfur, é uma democracia de primeira linha, com uma Constituição que é a mais longeva da Europa continental. E o Estado italiano sabe como proteger seus encarcerados. E que diriam os patriotas se o ministro da Justiça da Itália negasse a extradição do tal cidadão brasileiro condenado pela Justiça brasileira e refugiado na península, ao alegar que o mesmo correria perigo de vida em um cárcere brasileiro? O assunto ainda vai dar pano para a manga, no entanto, este é meu esclarecimento definitivo aos patriotas e aos desinformados. Ambas as categorias deixam-se manipular, o que não me causa maior surpresa. Dá canseira, porém.

Faço as palavras de Mino Carta, minhas.

Vídeopoema VÔO LIVRE de KBÇAPOETA

Vôo livre


Antes de mais nada gostaria de explicar:
Não há certo ou errado!
Tudo não passa de um mosaico
com imagens mil.
A razão me cobra coerência.
Mas logo hoje em que o juízo abre falência?
Nunca mais serei sensato,
acordar cedo bater o ponto no escritório.
Tolices
Agora eu quero é o nada.
ser como um galho seco que flutua em um rio caudaloso,
sem destino mas com o seu fim certo:
Apodrecer.
Assim é a vida
E até que me prove o contrário…

Sociedade televisionada


Todos os dias recebemos enxurradas de informações sobre a crise.
Não aguento mais os efeitos que crise de crédito desencadeada pela fatalidade do Lehman Brothers e por aí vai.
Não vou dar uma de Ana Maria Braga e exaltar a idiotice e a ignorância, mas ficar vampirizando a mídia e extrair só sangue também não dá.
E por incrível que pareça, a culpada não é a mídia. Somos nós!
Se determinado programa que sai sangue, quando você liga a televisão, marca altos índices de Ibope, ele irá continuar, anuncios irão aumentar e ele torna-se um programa de sucesso.
Então antes de reclamar o estado que chegou a mídia aberta, a erotização da televisão brasileira, mude o canal, vá ler um livro se não há algo interessante para se assistir, mande seu filho ler um livro ou brincar como uma criança normal ao invés de delegar função de babá para a televisão.
Lugar de bom filme é no cinema.
Um boa cena é no teatro.
Boa estória é no livro.
Fatos é no jornal.
A televisão deveria ser o reflexo disso, mas o senso comum só assiste Tv.
O que fazer?