
Pode-se tirar o pior proveito.
O proveito?
Soa relativo.
Principalmente nesse mar de
probabilidade.
Sigo sem rumo.
Sou a pena displicentemente
Leve, a toa
Poetica e pacífica.
DERIVAR É UMA ARTE. Compreender a arte é uma deriva. DERIVE PELA ARTE DE VIVER


Uma cidade um estado.
Um estado de espírito
Estado da matéria
Matéria essa
Que é vital para o poeta
Como o alquimista trabalha sua pedra filosofal
O poeta vê na imagens palavras
Tais palavras formam poesias
A despedida é o sentimento mais bonito e o mais cruel; talvez seja o mais bonito por ser o mais cruel, e mesmo assim, encontro após encontro, insistirmos em estreitar os laços que unem o meu eu ao eu do outro.
O mais incompreensível é saber como pode ser tudo tão rápido e, ao mesmo tempo, tão intenso. É como se a cada milímetro que o eu do outro se afasta, quilômetros de pele fossem extirpados do nosso eu. E, como se não bastasse, quando o eu do outro já não está mais à vista, e já não temos mais pele cobrindo o nosso ego, protegendo-nos do externo, protegendo-nos do desconhecido, jogamo-nos na vala mais profunda da existência; pois precisamos nos esconder de tudo e de todos, porque nossa sensibilidade está à flor da pele, da pele, aliás, que já não possuímos mais. Esse momento é sublime e desesperador; sufocante como a câmara de gás; causa dor nas glândulas lacrimais e na garganta; mas, acima de tudo, causa dor na alma.
É terrível a dependência; é terrível a fraqueza. Esses instantes, tão sensoriais, tão impressoriais, são aterrorizantes porque neles é possível perceber que os indivíduos, por mais individualistas que sejam, trazem dentro de si, na sua composição física, psíquica e emocional, elementos dos outros; trazem consigo os outros, e somente os outros. O indivíduo é um castelo de cartas, em que cada uma delas é importante homogeneamente, mesmo que se distribuam e contribuam de maneiras diferentes para a estética, para o externo, para o perceptível e palpável. Mas, se quaisquer delas for removida, seja qual for a sua posição física, o castelo desabará da mesma forma; o castelo tornar-se-á aquilo que é: o nada, o entulho, a massa disforme e sem sentido de existir. Mas o que mais dói é saber que cartas em cima da mesa não são imponentes, não são dignas de serem vislumbradas ou de serem fotografadas, pois são apenas cartas, e mais nada; completamente diferente do majestoso castelo de outrora; da futilidade superficial da mentira; da prepotência; e do egoísmo: cartas em cima da mesa, são cartas em cima da mesa; cartas unidas, contribuindo igualmente para representar a forma de um castelo, são apenas [um] castelo.
Por isso a despedida fere, pois ela mostra a nós - castelos fúteis - que não somos apenas [um] castelo; mas que somos mais, somos muito mais e muito menos do que a nossa prepotência permite enxergar: somos todos aqueles que nos rodeiam; somos desde o mendigo que chutamos até o burguês perante o qual nos ajoelhamos. E a ausência de quaisquer deles poderá nos desestabilizar da mesma forma irremediável e dolorosa, pois, na despedida, descobrimos que nada somos além de nada.
O rei Obama destronou a rainha Elizabeth, tornando-se o mais pop monarca do primeiro mundo. Agora, o “império do mau” foi conquistado, livrado das garras do terrível Bush, e, no que depender do presidente camarada, todos os súditos terão tratamento VIP e o império passará a ser chamado de “império arco-íris”, onde vai imperar somente a paz e o amor.
Dentre os súditos contemplados estão, primeiramente, o bonachão do trópico sul, Lula; passando pelo indígena cocaleiro, Evo Morales; o eterno senhor dos charutos, Fidelito; e chegando, até mesmo, aos terroristas perversos, mas ainda sim humanos, da desumana prisão de Guantánamo – herança dos restos mortais da dark era Bush.
Estas são só uma pequena fração de tudo o que – em tese – está sendo feito pelo presidente mais humano de toda a história dos states. No entanto, há de se ressaltar que o Estados Unidos é o pais de Hollywood e de muitos dos “queridinhos da América”, e que, diferentemente da linearidade e superficialidade dos personagens que o ocidente tanto idolatra, a vida real é uma Tragédia Grega, com personagens esféricos e complexos; o mocinho não é mocinho até o final da trama, e o vilão, muitas vezes, transparece traços de hombridade. Por mais que seja difícil de desassociar, quem está no governo não é Luther King, ou a heroica juventude revolucionária. Quem está no poder são os mesmos velhos senhores da guerra da velha política conservadora e intransigente norte-americana. Ainda que dessa vez a maquiagem e jogo de luzes tenha ajudado, Obama é o mesmo clichê “american way of life”. O presidente pop, nada mais é do que a Elizabeth Sam. De que adianta QUERER fechar Guantánamo se o judiciário diz não PODER; de que adianta QUERER uma aproximação da ilha dos charutos se a política externa diz não PODER; de que adianta QUERER firmar pactos com as nações subjugadas se o imperialismo diz não PODER?
E nesse jogo de palavras entre poder e querer é que o mundo vai assistindo ao velho filme midiático: o povo vê o que eles QUEREM revolucionar, e o PODER mantém tudo em seu devido e apropriado lugar.
Novamente ocorreu um assassinato de cães no Campus do Vale da UFRGS. Dessa vez, o requinte de crueldade foi aprimorado ao máximo: o cão, um dos mais dóceis presentes na universidade, foi levado até a estação de tratamento de esgoto da UFRGS – local que, devido ao risco de acidentes e importância, deveria permanecer fechado ou monitorado 24 horas por dia, e lá foi jogado VIVO, no tanque profundo. O cão lutou pela vida durante muito tempo, talvez mais do que meia hora, levando em consideração as inúmeras e profundas marcas deixadas no concreto maciço do tanque.
Entretanto, pelo cansaço e, provavelmente, hipotermia, causada pela água gelada, o cão faleceu. O corpo só foi encontrado – BOIANDO – na Segunda-feira, 11/05/2009, por um funcionário da estação, o qual enterrou o corpo do cachorro nas proximidades do tanque.
O funcionário não quis se identificar por estar no quadro de pessoal da UFRGS e ter medo de retaliações. Após as denúncias feitas pela mídia sobre o envenenamento de 7 cães, todas as pessoas envolvidas na causa animal sofreram ameaças diretas e indiretas. Uma delas consistiu no vazamento verbal, “acidental”, em forma de “fofoca” sobre uma possível operação arquitetada com o intuito de “remover” todos os cães presentes no local. Tendo em vista que o território é de jurisdição administrativa da UFRGS, autarquia Federal, nenhum órgão tem competência para entrar sem prévia autorização, nem mesmo a Zoonose de Porto Alegre, a qual, mesmo se obtivesse autorização, não poderia operar, pois alegou estar superlotada, sem possibilidades de aumentar o número de animais em suas dependências. Ou seja, o provável procedimento está sendo feito à revelia da lei; uma ordem descendente que seria realizada por alguém sem autorização. A ameaça direta consistiu no comunicado informando a destruição do canil improvisado, construído pelo pessoal que cuida dos animais. O canil é essencial à continuidade do projeto, sem ele todos os cães estarão desamparados. A universidade alega que a área (MATAGAL), é de vital importância.
Esse ato é uma tentativa de assustar os envolvidos com a causa animal, uma ameaça, uma represália às denúncias feitas à mídia. Desde o dia em que a matéria sobre o envenenamento fora divulgada nos veículos de comunicação, muitos incidentes vêm ocorrendo: portas dos canis arrombadas; cachorros jogados em buracos profundos; cachorros levados a cidades distantes; e até cachorros que aparecem com machucados espalhados pelo corpo.
Outro ponto que chama a atenção nesse crime é o fato de no Campus haver, além de seguranças do quadro público, uma empresa privada de segurança, Rudder, que TEORICAMENTE toma conta do patrimônio Federal. Contudo, a fortuna que sai dos cofres públicos para ser empregada em segurança não impede que qualquer um ande livre e despreocupadamente pelas dependências do Campus, inclusive portando armas, drogas e bebidas. Dentro do Campus Vale há inúmeros “pontos de encontro” dos alunos, lugares usados também para o uso de drogas e sexo, como “A Toca” e a “Estufa”. Todavia, são lugares usados pelos alunos em dias “letivos”, mas por vagabundos e estupradores nos fins de semana e feriados.
A realidade de quem estuda no Vale é esta: INSEGURANÇA! Estupros e assaltos são comuns, mas abafados pelo pessoal que não tem controle e muito menos interesse em filtrar quem entra ou sai do Campus.
Seria muito interessante coletar informações da Rudder sobre o procedimento da segurança empregado no Vale. Provavelmente eles dirão: “nós não temos como controlar todo o Campus, porque ele é grande e aberto”. Mas então O QUE ELES FAZEM LÁ? Se qualquer um pode atrair um cão até uma área restrita e fechada, e esperá-lo morrer afogado; dar veneno a vários cães; e cavar buracos de mais de
Se questionado sobre a segurança, qualquer aluno que estude no Vale dará uma resposta unânime: NÃO ESTAMOS SEGUROS!
Qualquer um tem acesso ao Vale nos Sábados e Domingos, e a cena é a de descaso: seguranças sentados, que nem se preocupam com a nossa presença, nem sequer perguntam quem se é ou o que se quer.
Ultimamente estão sendo assassinados cachorros, amanhã – como já houve anteriormente – serão pessoas.

"Nada humano me é estranho", assim foi uma das citações do presidente do Paraguai e ex-bispo, Fernando Lugo. No pronunciamento de sexta-feira (24), o presidente manifestou-se de maneira a calar os opositores que, segundo ele, estariam querendo desestabilizar seu governo, através de uma conspiração baseada na enxurrada de supostas paternidades - 6 até o momento, das quais uma foi reconhecida como legítima pelo presidente.
O que surpreende? Nada mais comum do que um presidente ter filhos, correto? Nada mais comum do que um clérigo ter filhos, correto? Pois bem, aí está o grande problema: com o advento da modernidade, aquilo que sempre aconteceu, hoje é esmiuçado ao máximo, não deixando dúvidas sobre sua veracidade. Entretanto, o que não veio "agregado", "embutido" ou "onboard" é a conceitualização e, principalmente, diferenciação, entre ética e moral.
Apesar de ser uma discussão complexa, que deixa dúvidas e abre premissas para réplicas, tréplicas e afins, de uma maneira sucinta, poderíamos definir ética como sendo o conjunto de princípios e normas de conduta relativas a um grupo ou instituição. Do outro lado, temos o conceito de moral que – do mesmo modo enxuto – poderíamos consagrar como sendo os bons costumes relativos ao indivíduo. Ou seja, no primeiro estariam contidas as “leis” a serem cumpridas; no segundo, os “conselhos”. Dessa forma, na teoria, uma infração ética seria muito maior do que uma moral, visto que a primeira congrega todo o grupo instituidor das “leis”; na segunda, somente o indivíduo “descuidado”.
Então, o que faz desses acontecimentos uma notícia? O fato do presidente ou do bispo ser um genitor em grande escala? Em minha concepção, nem um, nem o outro deveriam ser tema de pauta, já que há muito é sabido – em se tratando do primeiro caso – a negligência, o desmazelo e, até mesmo, a libertinagem com que são tratados os tão retrógrados, frívolos e desnecessários dogmas da igreja católica, inclusive – ou, até, principalmente – por seus mais íntimos participantes. Em se tratando do presidente, menos midiático ainda; pois alguns representantes políticos do oriente chegam a ter dezenas de filhos.
O que há no cerne dessa questão é a velha visão conservadora, impregnada tanto moral quanto eticamente pelas “diretrizes” católicas. Concordo plenamente que, se confirmada as paternidades nas ditas circunstâncias, é uma falta ética o que foi cometido pelo [bispo] Lugo, afinal quem se predispõem a integrar um grupo, uma instituição ou seja lá o que for, por mais inconveniente que esta seja, tem que estar apto a aceitar suas normas de conduta, suas leis, seus dogmas. Entretanto, colocar em jogo a moral do [presidente] Lugo, é um ato um tanto quanto precipitado, visto que, até o momento, não foi comprovado que ele tenha incorrido em qualquer delito legal.
O Estado ainda não é laico. As leis, as normas e – principalmente – a moral ainda são pautados pelo rigor religioso. Acusações éticas e morais viram o mesmo novelo de lã pelo viés eclesiástico, o que impossibilita uma política livre e, de fato, democrática.
Enquanto supostos casos de paternidade forem o suficiente para desestabilizar um governo instituído, jamais teremos uma constituição justa e homogênea, que contemple os homossexuais e racionalize a divisão das riquezas e das terras desse mundo, que tem muitas fortunas escondidas em "santinhos do pau oco".



Somente uma palavra é capaz de definir a Legião Urbana: transcendental! Papo de adolescente? Não! Renato Manfredini Júnior e sua banda são muito mais do que a trilha sonora dos jovens desse país. Renato Russo É uma ideologia a se seguir, um modo de vida e uma maneira de ser... Aqueles que não desfrutaram da experiência... [transcendental] que a Legião Urbana pode transmitir não são pessoas completas.
Os repertórios variados que oscilam entre amor, sanidade, revolta, inconformismo e crítica são a marca registrada da banda de Brasília. Entretanto, para o “grande público”, ou, melhor dizendo, “pequeno público” a temática é sempre a mesma: música pop impregnada de canções românticas de “menininha”.
O que esses acéfalos não sabem é que, por trás das músicas que vagam pelas ondas de rádio do populacho, existe um trabalho de ourives em cada um dos álbuns feitos. Composições que são capazes de expressar todos os dilemas, dificuldades e receios comuns ao bicho homem: ser incompreendido, desconfortável de sua existência e amedrontado pela realidade circundante. Ou seja, cada música, cada palavra, cada vírgula que passou pelo crivo de Renato Russo, leva consigo a responsabilidade de mostrar de uma maneira particular e, ao mesmo tempo universal, que, à sua maneira, cada um vive, viveu, ou viverá como João Roberto, João de Santo Cristo, ou um João Ninguém qualquer. Nós somos indivíduos, mas nossas individualidades não são nossas, são sociais.
Renato Russo É um perfeccionista, um gênio, um psicólogo e um amante. Alguém tão sensível ao externo que CONSEGUE transformar sensações e emoções
Que coração partido não sente “você quis partir, eu quis partir você, tirar você de mim...”? Qual bissexual não vê a simplicidade de sua opção, simples como qualquer outra opção “acho que gosto de São Paulo, gosto São João, gosto de São Francisco e São Sebastião, e eu gosto de meninos e meninas”? Quem não se pergunta “que país é esse”? Quantos de nós não se depara com a escola, vestibular e com a Química “não saco nada de Física, Literatura ou Gramática, só gosto de educação sexual, e eu odeio Química”? Enfim, toda e qualquer música Dele diz algo de mim, de ti, de nós e deles. É impossível ouvir Legião de maneira indiferente, impessoal... Renato Russo FAZ parte de nós, da nossa vida e da nossa morte. Não mais inteiramente de nossa vida, pois, como disse o profeta, “os bons morrem jovens”.
Uma banda, uma religião, uma seita, seja lá o que for, a Legião Urbana É um “audiobook”, um livro sonoro que deveria estar à cabaceira de todos; artigo obrigatório nas escolas e residências desse país. A Bíblia aliena, a escola aliena, a faculdade aliena, mas a Legião dissipa, abre a mente e faz transcender...
Renato, na semana do teu aniversário, uma homenagem dos teus súditos à magna importância da tua existência...
1. Daniel na Cova dos Leões
2. Quase Sem Querer
3. Acrilic On Canvas
4. Eduardo e Monica
5. Central do Brasil
6. Tempo Perdido
7. Metrópole
8. Plantas Debaixo do Aquário
9. Música Urbana 2
10. Andrea Doria
11. Fábrica
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