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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

CESURA PARA CENSURA - KBÇAPOETA



Pode ser meu eu,
Na luz do que sou,
desvelando ser,
revelando ter
Imaginação?

Posso ter meu eu,
Na sombra que fui,
Confessado ser,
Privado de ter
Imaginação?





quinta-feira, 7 de junho de 2018

Tudo está no seu lugar







Lula na senzala
  Temer na varanda
    Casa grande clama
  Louros da vitória

Na senzala Lula
   Na varanda Temer
      Casa grande: Louros
Clamam a vitória




segunda-feira, 12 de junho de 2017

Parras poéticas










Como folhas do outono,

Um visgo de poesia

Desapega-se da pena.

Frases florescem em mim,

Ecos secretos segredando

Pétala por pétala

Mémorias passadas, vindouras.

Parras sobre um corpo estranho,

Eclodindo em miásmas sem fim.

Palavras que profiro.







segunda-feira, 6 de março de 2017

Signos em evaporação






Oh poesia,
Onde andas,
O que és?
Quanto mais me aproximo,
Mais tu te afastas.
Foges do ninho de quem te ama.
Andas pelas cabeças de transeuntes,
Iletrados, loucos e gênios.
Os junks ceiam em tua mesa,
Tomadores de absinto dormem em seu leito.
Todos extasiados de amor.
Quando andava torto,
Tu eras minha reta.
Caso saísse da medida,
Tu de compasso me servias.
Agora ando por vias retas,
Teus versos pedem linhas tortas.




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

LIVRE A GIRAR






Esqueço chaves,

Relógio,

Tempo ,

Ofensas,

Tristezas

E carteiras.

Certo dia,

Eu, de tão distraído

Perdi um amor.

Um tempo esquecido,

Interno de uma gaveta qualquer.

Depósito lotado,

Guarda-chuvas solitários.

Um desses atrevidos

Desvencilhou-se dessa opressão.

Guiado pelo vento

Girava em diagonal

Sob uma azulada manhã.

Céu leve de outono.





terça-feira, 24 de janeiro de 2017

MOINHO DAS BOCAS








Em um aqueduto equidistante

Percorri inúmeras eras.

Passional, resume o oco,

Buraco negro que engole

O mundo.

Triturando,

Moendo,

Moenda,

moinho

Formado por dentes.

Rodas espiraladas de caninos

Dentro de rodas menores

Formadas por caninos mais finos.

Rodamoinho de dentes

Triturando a carne,

Dilacerando

Pedaço por pedaço

O pretérito insólito.

Aquele que é preferível olvidar.



segunda-feira, 1 de junho de 2015

O pracista






Belo plenilúnio esbanja o seu branco


O manto que clareia os bairros cansados


Misturava-se ao breu que colori o anil


Miríade sobre tons azulados


Paisagem diversa do meu Brasil


Sob olhares de um mendigo em seu banco





sexta-feira, 24 de abril de 2015

Dei ad infinitum







 
Venho de um processo

 

Onde o recesso cósmico é permitido.

 

O espaço e o tempo.

 

O espaço-tempo.

 

Tudo criado pelo homem,

 

Carmas e pecados

 

Devolvem ao homem sua paz.

 

A certeza de que conforta a espécie

 

É a ausência de Deus e não sua presença.

 

Se Deus manifestasse sua onipresença

 

Adentrando as mentes humanas 

 

Durantes as 24 horas do dia.

 

Para muitos

 

Isso seria o inferno.
 
 
 

 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A NOVA IMERSÃO






A nuvem negra passa

Ninguém viu o temporal

Ininterruptamente trovejava

Caiam relâmpagos

Enxurrada fria e caudalosa

Lúgubre cenário

Mata-me dia a dia

Através de sua sombra




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

KASPAR HAUSER






Vislumbrar um sonho
Entender o mundo
Retumbar tristonho
Intentar a fundo

Ostentar vitórias
Esconder derrotas
Repensar histórias
Responder lorotas

Bondade gigante
Fechado, tão só
Maldade distante
A Morte sem dó

Europa sem filho
Um dom, um mistério.
Denota, seu brilho
Rancor, vitupério.





domingo, 25 de janeiro de 2015

DIREÇÕES








No quarto empoeirado

Reviro o baú de arrependimentos.

Um turbilhão de saudades,

Vidas remotas, vidas que não foram minhas,

Misturando-se e perdendo-se no tempo,

Espaço e pensamento.

Tamanho porão de meus guardados

Que soterrado de memória,

Agora se esvazia em esquecimento,

Indo e voltando de acordo

Com as mazelas da rosa dos ventos

Que ao indicar-me o sentido hoje,

Perco o tino amanhã.






quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O FANTASMA










O fantasma perambula pela casa.

O quarto,

Sala

Cozinha.

Nada lhe pertence.

São grilhões

Imaginários.

Vida,

Família,

Convívio inexistente.

Presença etérea,

Insignificante,

Transparente.

Eis um fantasma.









segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

VISÃO CALEIDOSCÓPICA










Escrever

   meu delírio

em versos.

Frases

criadas

no átimo

 em que imagens,

devaneios,

  fotogramas

e dioramas

 eternizam

a projeção

do ser .






domingo, 30 de novembro de 2014

MOMENTO DUVIDOSO




O momento pede atenção
A luz
O tato
A aura e a intuição
Perceber o espectro
Que a ciência renega
Caçoa
Mas na intimidade da análise científica
Onde observador e objeto interagem
Dando uma exata e ilibada

Dúvida

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

GESTO LOUCO



Não entendo o gesto louco
Que desfaz já quem eu sou
Uma imagem
Uma nuvem
Que o vento dispersa
Morro de lembranças
O passado assume o custo
Hoje de tudo que eu era
Poesia,  me restou
Restos, apenas restos
Que fui
Que serei
E o que  não sou






segunda-feira, 26 de maio de 2014

LÁ NO CÉU



Lua cheia

é o arco Íris

em linha reta, com suas sete cores,

seus sete espectros.

Girando no céu a noite continuamente.



segunda-feira, 19 de maio de 2014

MOÇOS




Já avisaram os pobres moços

Que no caminho dos amores

Não existem atalhos,

Apenas trabalhos

Que resultam em um pseudo nada absoluto,

Absoluto nirvana

Que nenhum mortal ousara adentrar ?