sexta-feira, 27 de junho de 2014
FRAGMENTOS DE VIAGEM À CIDADE DE "Z" ( Parte V final )
segunda-feira, 9 de junho de 2014
DURA NA FRONTEIRA
segunda-feira, 2 de junho de 2014
FRAGMENTOS DE VIAGEM À CIDADE DE "Z" ( continuação IV )
segunda-feira, 26 de maio de 2014
segunda-feira, 19 de maio de 2014
segunda-feira, 12 de maio de 2014
AMOR DE CARNAVAL
O carnaval pode ser uma época triste onde solteiros procuram um amor eterno disfarçado de uma paixão fugaz.
Nunca mais vira seu suposto amor. Sumiu na sexta fatídica de um carnaval entre lantejoulas, camisinhas, bebidas e prazeres.
terça-feira, 29 de abril de 2014
ETÇ E OUTRAS COISAS
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas
Quando aquilo que é deixa de ser, tudo se dissipa em algum vão, só restam os móveis imóveis e um funesto silêncio. As esquinas, dobras e quadras lembram histórias que quando lembradas parecem apenas desperdícios de uma fútil tristeza desolada. O que é vivo e vívido não merece ser contado ou explicado, apenas sentido. Mas o que resta ao que não pulsa mais? As folhas que começam a cair já não encantam por sua leveza, nem o canto dos pássaros por sua sabedoria. De repente, todas as impressões metafóricas da vida tornaram-se tijolos e concreto entulhados, amontoados, não mais que cacos agregados por uma densa e insustentável preguiça de inventar arquiteturas impossíveis. Sol que não ilumina a escuridão, brisa que não afaga uma fria solidão. Medalhas de ouro e títulos de prata escorrem por entre os dentes de uma alma esvaziada. O gelo do metal não representa mais o seu valor. Quando o que é se dissipa, a arte deixa de completar, resta apenas um corpo, uma silhueta qualquer, um amontoado de partes e partículas incapazes de sorrir e encenar. O ator desce do palco e contempla, da platéia vazia, a banalidade da sua própria atuação, sem ação, imóvel, estagnado para todo o sempre, de olhos fechados a esperar o tempo. Parte e partículas que não dançarão; olhos e olhares que não mais olharão. A arte, a graça, a brasa, tudo se foi. Não há, nem nunca haverá um substituto àquele olhar. Não há lar. Amargo lar.
sexta-feira, 21 de março de 2014
FRAGMENTOS DE VIAGEM À CIDADE DE "Z" ( continuação III )
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
POVO + MOVIMENTO PASSE-LIVRE=MOVIMENTO DE MARIONETES
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
FRAGMENTOS DE VIAGEM À CIDADE DE "Z" ( continuação II )
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
O GRITO DO GRILADOR
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
QUEM SOFRE O PECADO?
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
MEU AMIGO PEDRO - RAUL SEIXAS
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
ICANN ESPIONA VOCÊ
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
FRAGMENTOS DE VIAGEM À CIDADE DE "Z"
Ao transitar pelas ruas de Barra do Garças, deparo-me com indígenas conversando em guarâni. Aquela língua tão antiga, distante, ali na minha frente. Não podia compartilhar daquela língua tão bela e tão antiga. Uma pena!
Enquanto refletia sobre o muro semântico-linguístico que nos separava, desconfiava dos índios, eram dois. Poderiam e aparentavam serem malandros e poliglotas, mais malandros que políglotas.
(continua)
domingo, 17 de março de 2013
Só Para Loucos
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Niilismo
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Um Livre Suspiro
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Liberdade? Hein?
A sociedade é tão repressora e reprimida, tão opressora e oprimida, tão alienadora e alienada que esse conceito está se tornando impronunciável. Lembro-me do livro 1984, de Eric Arthur Blair. No livro, é desenvolvida a “novilíngua”, o idioma criado pelo Partido do Grande Irmão. Uma passagem interessante é quando um funcionário expõe que “todo o objetivo da novilíngua é estreitar a gama do pensamento”. Ele continua, “no fim tornaremos a crimidéia literalmente impossível, porque não haverá palavras para expressá-la”. As “crimideias” são os pensamentos relacionados ao conceito de rebelião, portanto considerados subversivos. No mundo de George Orwell, pseudônimo de Arthur Blair, o controle da realidade dava-se pelo controle das mentes. Destruir palavras era o primeiro passo para essa conquista. “Cada ano, menos e menos palavras, e a gama de consciência sempre um pouco menor.” De fato, a capacidade de conceituar a realidade é uma ferramenta indispensável às utopias que visam à transformação. “Como será possível dizer ‘liberdade é escravidão’ se for abolido o conceito de liberdade?"
Orwell escreveu isso em 1949. No livro, era previsto que a novilingua fosse um idioma perfeito até 2050. Entendia-se por perfeito o momento em que todo o conhecimento da anticlingua – idioma materno – fosse abolido. “Todo o mecanismo do pensamento será diferente. Com efeito, não haverá pensamento, como hoje entendemos. Ortodoxia quer dizer não pensar... não precisar pensar. Ortodoxia é inconsciência."
Incrivelmente, já em 2011, discutir sobre o conceito de Liberdade é uma tarefa significativamente árdua. Muitas pessoas não conseguem entender, visualizar ou, sequer, imaginar. Observo que é como se um entusiasta da informática tentasse explicar a cavaleiros medievais as maravilhas da internet wireless. Esse triste cenário não reflete apenas os efeitos de uma crescente imbecilização do pensamento contemporâneo, mas também das consequências de uma sociedade cada vez mais policialesca, institucionalizada e burocratizada.
Se crianças são criadas sem liberdade por pais que foram reprimidos, dentro de um Estado opressor, como se poderia vislumbrar o conceito de Liberdade? No senso-comum torna-se óbvio e auto-evidente que não seriam necessários tantos dispositivos de controle, de repressão e de normatização se os homens pudessem ser livres. Definitivamente, planta-se a crença de que a Liberdade não é possível para os homens.
A perpetuação dessa visão de mundo me espanta. Diferentemente dos cavaleiros medievais – que nunca tiveram contato com a internet wireless – a sociedade vive sob a égide da visão que nega a possibilidade de liberdade desde 1651, quando Thomas Hobbes publicou o Leviatã. A concepção de que as pessoas deveriam renunciar à sua Liberdade em troca de tranquilidade, não me pareceu eficiente. Desde Hobbes, duas guerras mundiais, fascismo, nazismo e outros ismos selvagens assolaram a humanidade. Não precisamos remeter somente a dados históricos para confirmar isso, podemos coletar as estatísticas atuais das grandes cidades. Concluirmos que o Direito Positivo não contribuiu para garantia do Bem Comum.
Quando falamos em Liberdade, imediatamente somos retrucados por visões apocalípticas, inerentes a um sistema doente. “Então todos poderão matar-se uns aos outros.” “A violência imperará!” “Será um retorno à barbárie!” “O que faremos com os que não quiserem trabalhar?” “E os ladrões?” É engraçado notar como todos têm certeza absoluta do que falam. Quase não há pessoas que critiquem a possibilidade de que, em liberdade, muitas formas de transgressões poderiam perder, imediatamente, seu sentido. Raras são as vezes que uns e outros refletem sobre a possibilidade de muitas “disfuncionalidades” do sistema existirem justamente em função, apenas, do próprio sistema.
Se não bastasse isso tudo, cada vez mais leis e normas são redigidas, cada vez mais as formas de punição se recrudescem, porém, cada vez menos, a paz é conquistada. Condomínios parecem prisões; carros, tanques de guerra; homens, soldados treinados para matar; e assim por diante. Tudo inútil. Não sei se sou o único, mas é exatamente isso que entendo por barbárie.
As pessoas estão cegas, alheias de suas próprias consciências. A noção de que o “Homem é o Lobo do Homem” não encontrou solução no apelo à lei e à ordem. Alguns homens já despertaram desse transe. Pena que ainda são poucos. Bertolt Brecht é um deles. Em seu poema, “Os Dias da Comuna”, num trecho ele diz: “Considerando nossas fraquezas, os senhores forjaram suas leis para nos escravizarem. As suas leis não serão mais respeitadas”.
Estão todos uns contra os outros, enfraquecendo-se mutuamente. Enquanto os homens deixarem-se iludir no sentido de que seus inimigos são os próprios homens, continuarão a legitimar esse sistema opressor e mediador das relações, sem nunca perceberem que é este mesmo o verdadeiro Lobo de todos os homens.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Vegetarianismo: ação política ou filosofia individual?
Outro aspecto que desponta, é a escolha por estilos alternativos de vida. Muitas pessoas optam por aderir a determinados padrões de comportamento, em busca de diferenciação social. Obviamente, tal tendência não deveria causar espanto em uma sociedade movida por um sistema tão homogeneizante.
Claro, existem casos de pessoas que passam a não comer carne por respeito, amor ou piedade aos animais. Contudo, mesmo nesse caso, ainda assim, apenas são pessoas que decidiram, pura e simplesmente, não comer carne. Isso não deve ser considerado completamente negativo, no entanto não se pode confundir tal conduta como sendo a de um Vegetariano. Ser Vegetariano [com letra maiúscula] é, inextricavelmente, uma ação política, e portanto, um ativismo.
O ativista Vegetariano – verdadeiro Vegetariano – é aquele que coloca em perspectiva a sua prática individual de não comer carne, objetivando transformar o seu contexto. Sentir piedade ou amor pelos animais nada mais é do que um aspecto propulsor. O que determina a efetividade, eficácia e importância de uma prática é a sua dimensão utópica. O sujeito ativo em sua existência – ativista em prol da vida – é aquele que tem consciência de que sua ação de não comer carne subverte a lógica vigente, subverte as relações estabelecidas com os seres vivos transformados em objetos de cobiça e de desejo.
De forma sucinta, reduzir a quantidade de carne consumida pouco altera a realidade instaurada. Os estilos alternativos de vida podem ser denominados como modismos porque, em sua maioria, estão esvaziados de sentido. Pessoas que decidem não comer carne por qualquer motivação divergente da de desvelar a alienação funcional do sistema, não são nada mais do que reprodutores do próprio sistema.
Do mesmo modo que algumas centenas de milhares de chesters são poupados no Natal, outros milhares de cães toys, microtoys e outras derivações aberrantes geneticamente modificadas são produzidas em laboratório, o ano todo. Novamente, o sistema empenha-se em contentar os prazeres de donos e donas que optaram por não comer carne. O sistema reiventa-se. Ele sempre está pronto para atender o gosto do freguês, tenha ele o paladar que tiver: sangue escorrendo do cupim malpassado ou alface “só com vinagre”.
Alheios, alienados e isolados da realidade real, tentam amenizar esse absurdo desprovido de sentido. Consomem drogas [sintéticas ou nem tanto], consomem bens [não-duráveis ou induráveis], consomem vidas [virtuais ou ilusórias], consomem relações [pagas ou compradas], consomem felicidade [infeliz ou triste], enfim, consomem vida [morta ou assassinada]. De tudo que fica, é a certeza da longeva obsolescência existencial e das infinitas possibilidades impossíveis. Tudo são apenas ideias sem ideais, lutas sem causas, utopias sem esperanças. E no meio disso tudo, as ações políticas são esvaziadas de todo seu potencial revolucionário subversivo, tornando-se, apenas, novos aparatos distintivos nos cenários cults e, agora, culinários de uma modernidade pateticamente absurda.





