sexta-feira, 17 de outubro de 2014

GESTO LOUCO



Não entendo o gesto louco
Que desfaz já quem eu sou
Uma imagem
Uma nuvem
Que o vento dispersa
Morro de lembranças
O passado assume o custo
Hoje de tudo que eu era
Poesia,  me restou
Restos, apenas restos
Que fui
Que serei
E o que  não sou






segunda-feira, 6 de outubro de 2014

UMA ÚLTIMA CANÇÃO

Quem nunca teve uma música que fez lembrar de algum momento na vida?  Uma da sua primeira festa , ou a da banda que você curti, ou do primeiro beijo, da sua primeira depre... Em algum momento fomos marcados por uma canção, as vezes não nos damos conta, mas quando a escutamos nos remete no momento em que foi tatuada na gente. É incrível que quando escutamos, somos transportados em milésimos ao lugar, sentimos até o cheiro. Acho interessante isso de você ter uma memória musical, faz sentido, porque fica mais fácil você gravar coisas, tipo quando você se forma, você escolhe uma Música que vai ser sua trilha sonora naquele momento, acho que todos deveriam ter em cada momento da sua vida uma trilha sonora. Admiro quem tem essa capacidade eu tenho algumas que me remetem ao passado ou em algum momento que marcou, até momentos do meu dia a dia, da infância, a partir de agora vou adquirir esse conceito.  A cada acontecimento que eu achar que me marcou vou introduzir uma trilha sonora, e vou fazer um play liste. E quando eu partir sempre alguém vai escutar e dizer: essa foi a ultima canção...

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

TODOS QUEREM SER WINSTON SMITH



     Winston Smith, personagem de “1984”, romance de George Orwel resume o ideal de muitos homens e mulheres.
     A personagem que deixou os anos de sua meia-vida ir pelo ralo, o atrito desgastante da rotina de alguém que deixa o tempo passar.
     Esposa nem sabe como perdeu, não faziam mais falta um para o outro, fim do amor e da paixão somada em uma solidão a dois resulta em desapego, desimportância e até mesmo deselegância.
     Além do cigarro e gim “Vitória”, Smith não tinha muito que fazer ou desejar.
     Pessoas ditas normais, pertencentes à base de nossa pirâmide social como Winston, encontram-se na mesma situação de impotência.
     Ao contrário do personagem de Orwel, estas pessoas possuem  entretenimentos ,vontade de consumo, TV, internet,  Celular e cerveja.
     No romance, Orwel faz sua personagem conhecer-se, rebelar-se, sofrer, violentar-se  e esquecer-se.
     TV, internet e celular fazem o mesmo quando usado apenas como entretenimento em demasia. Eles estão engolindo crianças e adultos por horas e horas. Todas elas perdidas em sua quase totalidade.

     Muitos como Winston, tentam subverter o sistema contra as engrenagens opressoras do meio cultural, social e econômico até receberem uma bala no crânio amando o Grande Irmão.



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

EVITANDO O INEVITÁVEL...


Tento todos os dias evitar ele, mas por mais que eu tente não ha como evita lo, ele sempre da as caras durante o dia, mas é no final de semana que quase sempre ele me acompanha, não tem um horário certo as vezes ele aparece depois do almoço, ou no final da tarde. Tento fugir, escapar mas parece que ele me acha para atormentar, infelismente ele faz parte de nos, serve como uma espécie de anti monotonia quando ficamos inquietos, quando nada nos satisfaz ou quando entramos no modo automático. Pego um livro, mas não consigo ler, vou para os cadernos, mas não consigo ter concentração, estudar as leis é um pouco complexo, exige interpretação, mas quando ele esta por perto ele me toma, busco refúgio nas cordas do violão, no campo harmônico que traz a sua suavidade indescritível. E só assim sou transportado para longe e consigo romper aquela sensação,  que quando bate faz parecer que todos os dias são iguais, mas não são, só são quando ele da as caras, e dai eu digo; Putz lavem o tédio...

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ninguém sabe...


Apagaram as luzes, ninguém mais se reconhece, sumiram as feições as aparências. Somos julgado no primeiro olhar, julgados pelo pré-conceito leviano desse olhar, que tudo vê mas nada sabe. Os olhos muitas vezes nos enganam, não se vê através do corpo, da alma, as vezes eles nos mostram o que queremos ver.  sabia frase " Não julgais um livro pela capa"...

terça-feira, 2 de setembro de 2014

O CHORO DO TRAÍDO



    Existem três mascates que residem em uma casa alugada nos fundos de uma residência da periferia de Caarapó.
    Em Caarapó o senso-comum não encontra diversão além de beber, jogar ou fumar cigarro paraguaio.
    Os três mascates envolvidos nesse ambiente, foram despertados pelo mascate mais novo, 23 anos, briguento, sonhador e com energia advinda da idade, chama atenção de seu colega:
    -Você reparou que o “tiozão” ainda não chegou?
    -E daí ? Deixa o cara mano!
    O colega era o mascate de 27 anos. Fazia o tipo observador. Ouvia, entendia algumas coisas e outras nem tanto.
    Normalmente quando havia discussões na casa o colega era o voto inerva de qualquer assunto. De cocô a bomba atômica.
    Era domingo à noite, cruza o mascate mais velho pelos dois que estavam sentados diante da televisão.
   O mascate mais velho é separado e apreciador de uma “cachacinha” barata vendida nos botecos da cidade. É uma pessoa de olhar doce e compreensivo.
   O mascate mais novo entabulou um debate sobre o vício da bebida que culminou em severas críticas ao mascate mais velho, sobre seu habito de beber e o insuportável odor que ele emana ao chegar do bar.
   O cachaceiro reagiu com veemência, afirmou que o habito de tomar seu “mé” só correspondia a ele e a mais ninguém.
   O mascate de 27 anos que até aquele momento não se manifestara, deu uma risadinha caçoando do mais novo por ter levado um “queimão” do “Tio”.
   O novato enfurecido ao som da risada de seu colega solta um golpe-baixo verbal:
   - Pelo menos eu não tomei guampa por causa da cachaça!
E foi mais além:
   - Enquanto você tomava “pinga” sua ex-mulher tomava “pica” do Zé Adão, homem que você considerava um irmão.
   As faces do “Tio” ficaram ruborizadas, seus olhos vermelhos dando um ar desfigurado ao seu rosto. Um assassino, um psicopata se formava em seu rosto olhando fixo para o novato.
   Não contente com o resultado, o novato arrematou:
   - Zé Pedro também era teu irmão de “Pinga” e “guampa”.
   - Enquanto você tomava um “liso” com Zé Pedro, Zé Adão comia a sua mulher e a dele, dependia do dia.    Acho que até as duas juntas ele “traçou”.

   As gargalhas retumbantes no ambiente foram o suficiente para o “Velho” avançar em direção ao novato, olhar no fundo dos seus olhos, e começar a chorar.





sexta-feira, 29 de agosto de 2014

VAI SABER ! ! !



Eu queria entender certas coisas... Não, mas eu acho que tem coisas que parecem não ter razão, não ter razão de você fazer, ou ficar... Ficar com uma pessoa de novo que você já teve algo mas acabou, ou dar abertura para ela parar nem se for um segundo em sua vida de novo, mesmo você não entendendo o por que disso tudo...O porque de ter mil pessoas a sua volta mas uma vez no mês, nem se for você lembra daquela pessoa. Você pode estar com alguém,ou com mais pessoas, mais necessita voltar naquela que já passou, mas marcou e que era pra ser passado, e por que ter a necessidade, ou a coragem de lembrar do beijo, cheiro e mais ainda pra ligar... Destino ? Não sei, só dá pra entender que tem coisas que nunca iremos entender, coisas sem razão que no impulso fazemos, que nos fazem rir e chorar, que nos fazem felizes e tristes... Que fazem a gente sentir ao mesmo tempo diferentes sensações. Talvez em cada reencontro tenha aquela sensação do primeiro, aquele frio na barriga e ao olhar nos olhos dela pensa, mas porque ? E não acha a resposta. Talvez nem se for, só 1% de sentimento, um sentimento que não tem explicação... Talvez porque ela faz lembrar o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo...

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Um Junkie em Dourados

       


       Getúlio foi ao cinema. Estava fechado. Motivo? Chuva.
       Como o cinema estava fechado ele resolveu dar uma volta por Dourados.
       Por volta da meia noite encontrava-se ele em um bar “underground” douradense.
       No bar ele entabula conversa com um rapaz que tinha o apelido de Zumbi. Por seu nome Marcos ninguém o conhecia.
       Zumbi tinha mais dois de sua grei que se chamavam Luiz e Rogério.
       Com Luiz e Rogério cheirou cocaína, tomou vodca e cerveja.
       O resultado da noite para ele fora constatado no dia seguinte como uma bela experiência de perda de tempo.
       Não se perdoava por ter chegado às quatro e meia da manhã, dormir o dia todo e despertar somente às seis da tarde. Perdeu um lindo dia chuvoso, seu favorito por uma ridícula noite pesudojankie.
       Percebera nesse momento que não tinha aptidão para uma vida junkie junto ao baixo clero, onde a cocaína era de péssima qualidade e o crack era acessível. Logo crack. Ele odeia crack.
       A noite anterior lhe mostrou que antes estar só do que mal acompanhado.
       Para não dizer que tudo lhe foi ruim, ele aconselhou um dos jovens indeciso a cursar licenciatura.      
       Ele espera que o rapaz faça vestibular e deixe essa vida de consumidor de cocaína de baixa qualidade.
       Ao final do conselho eles tiveram que sair às pressas do bar por que alguém iria dar uns tiros em um dos rapazes que lhe acompanhavam e ele não queria ser alvo de uma bala perdida.

       Bar Chopperos e Satifaction não lhe verão tão cedo.

Tenho!



 Hoje tenho ódio das aparências, dos perfis perfeitos nos aplicativos, da compreensão fingida do início. Hoje tenho ódio da paixão que não continua com os defeitos. Hoje tenho ódio de quem se apresenta de um jeito para agradar e não assume o que é desde o primeiro encontro. Espumoso ódio daquele que tudo concorda para depois sabotar, que tudo aceita para depois sonegar, que tudo quer para depois rejeitar. Indomável ódio da loucura invisível das pessoas, que são sempre certas e exatas em seus raciocínios e volúveis em seus desejos. Imenso ódio dos que jamais dobram os braços para agradecer e os joelhos para rezar. Absoluto ódio da confiança, palavra traiçoeira, que é apenas mais um sinônimo para esperança. Insaciável ódio das frases ditas para sempre e que não duram nem alguns meses. Invejável ódio da convivência de afeto, espaçado e de ternura episódica. Incomparável ódio do egoísmo disfarçado de independência. Implacável ódio da crueldade que todos recebem quando se desarmam por completo. Incompreensível ódio de me expor, pois não há como se esconder dos próprios sentimentos.
Hoje estou desencantado do Amor. Mas só hoje...

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Minha visão...



A realização de um sonho depende de muita dedicação, esforço e persistência. Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho sem sacrificar feriados e fins de semana, pelo menos uma centena de vezes. O meu sucesso esta sendo construído à noite, mas para você obter um resultado diferente da maioria, você tem que ter persistência e amar o que esta fazendo. Se fizer igual a todos, terá os mesmos resultados de todo mundo. Eu não me comparo à maioria, pois infelizmente ela não é modelo de sucesso. Se você quiser atingir uma meta, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chopp e comendo batatinha frita, você terá que planejar seus passos, enquanto os outros permanecem a frente da televisão, você terá que trabalhar, em quanto os outros estão tomando sol a beira da piscina. Um sonho depende de sacrifícios, há muita gente que espera o sonho se realizar por mágica, mas toda mágica é ilusão e a ilusão não tirá ninguém de onde está. Na verdade a ilusão é combustível dos perdedores, pois quem quer fazer alguma coisa encontra um meio. Quem não quer fazer, encontra uma desculpa. Mas lembre-se nunca é tarde demais ou cedo demais para ser quem você quer ser. Não há limites de tempo. Comece quando quiser, mude ou continue sendo a mesma pessoa. Não há regras para isso. Você pode tirar o máximo proveito ou o mínimo. Espero que tire o máximo. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com um ponto de vista diferente. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe. E se não se orgulhar dela, espero que encontre forças para começar tudo de novo...

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O violão desenforca os homens...


São cordas para salvar as pessoas da solidão, do nó, do desespero.
O violão e um antídoto contra o suicídio, o mais eficaz inventado até hoje.
A tendência é transformar o bilhete de suicida em letra, animar-se com a melodia e esquecer as idéias macabras.
Como alguém vai se matar segurando as canções com os próprios dedos? É como dar colo a um bebê. Quem canta já tem esperança de novo, quem toca violão já voltou a amar mesmo que esteja cantando um amor perdido.
A música refaz o nosso nascimento...
Bela reflexão de "Fabrício carpinejar", realmente a música nos remete ao alívio, uma verdadeira terapia. Tenho como meu psiquiatra meu violão... Por que a música me da a paz e a calma que o mundo me tira.

FECHAR OS OLHOS - por KBÇAPOETA



      O homem está calcado em uma cultura de mercado em que se vendem e consomem intimidades.
      Atualmente devido à ânsia de saber o final antes de terminar o filme, do prazer imediato, o horror a surpresa. O Prazer desgastado.
    O despertar da vida com seus mistérios já não interessa. Queremos o pronto. Agora e já.
    A rima fácil, o gesto rude, a piada pobre com um toque de pseudo-nobreza. Cafonice.
    É preciso um “fechar de  olhos’ para perceber a vida por outros sentidos, culturas e maneiras.
   Perceber a vida por outras nuances e torna-la interessante, mais viva, emocionante e com surpresas.
   Quando se deixa de encantar-se com a vida, você morre respirando. Vira cinza, um atual walking dead.
    A pessoa que lê vê um mundo mais colorido, emocionante e significativo. Leia mais.






quinta-feira, 31 de julho de 2014

Sentindo Demais



Estou sendo sincero
A verdade, Covarde
Me magoa demais
Onde pude
Andar
Juventude vagar
Pela vida
Por aí
Tenho me sentido
Abstrato
No absurdo
Paetês e marfins
No lúdico
No mais
Vigio-me
Disfarço
Na procura de alguém
Que não sou eu
Sem deixar de ser

Minha metade




terça-feira, 15 de julho de 2014

Francisco franciscano

Eu vi um andarilho no sol, mas não vi seu rosto. O tempo congelou uma foto sua em minha memória. Dei meia volta decidido a bater uma foto dele naquele cenário de produção alimentar em frente a um faminto.
    O milharal seco, sem possibilidade de consumo humano, ele, um rosto honesto que poderia esconder qualquer bandido e uma mochila e um saco que carregava.
      Seu nome é Francisco, se diz carioca, torcedor do fluminense. Esteve em Guaíra no estado do Paraná e atualmente estava naquela estrada para chegar a Maracaju.


    
De Maracaju ele quer chegar a Campo Grande e da capital encerrar sua caminhada em Camapuã, pois lá tem “conhecidos” que o ajudarão com comida e com os documentos que perdera nos percalços da vida e assim recomeçar.
     Recomeçar. Palavra essa que nos assola em todos os momentos de adversidades cotidianas ou existenciais.
     Francisco com certeza é alguém que qualquer um percebe que ele está literalmente recomeçando.
       Apenas uma mochila e um saco de linhagem repleto de latinhas de alumínio. Esses são os ingredientes da receita de Francisco para recomeçar.

    
Como acredito que a caminhada de Francisco era dele e de mais ninguém, dei-lhe um presente muito útil naquele cenário adverso e hostil: Boas dicas.
     Recomendei-lhe que fosse fazer um boletim de ocorrência (B.O) dos documentos, procurasse a secretaria de assistência social para fazer os documentos de graça e uma igreja católica com ação social para garantir-lhe pouso e comida por alguns meses.
     Pleitear um emprego no “obrão” ou nas lavouras na safra de milho que se avizinha era uma opção razoável para quem possui baixa escolaridade.

     Francisco caminhando franciscanamente pelas rodovias do Mato Grosso do Sul. Sua estrada, seu recomeço.



                                                                     

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Nossos pensamentos são filmes





     Se você perceber todos seus pensamentos são filmes, e filmes falhos, pois é provado que a mente algumas vezes tende a alterar os acontecimentos.
     E você perguntará: E daí? O que eu tenho haver com isso?
     É que se seu pensamento é filme, e você sabe que é, pois ao pensar, sempre vem a imagem na sua cabeça.
     Como explicar?
     Não sei.
     Programa?
     Ou o homem chega em um nível elevado de superação, que consegue criar um cérebro artificial, transformar pensamentos em imagem e som ?
     Será teoria da conspiração?
     Não se questionar sobre isso,atravessar a vida incólume pelos acontecimentos diários sem percebe-los é como estar a 3/4 da morte.



"Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Como nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo."


Buda




sexta-feira, 27 de junho de 2014

FRAGMENTOS DE VIAGEM À CIDADE DE "Z" ( Parte V final )




      Maurinho explicou-me que o homem entra em contato com a natureza através da ação sobre ela: - Não é errado arar a terra para produzir seu alimento,  tão pouco produzir excedentes para trocar ou comercializar com o vizinho. Com certeza ele produzirá outro alimento ou algo que será útil a você que poderá ser trocado ou comercializado também.
      Maurinho foi além, disse-me que se deve levar em conta além da subsistência; a existência.
      Ouvindo  voz daquele homem de gestos simples e suaves, educação impecável, soube que estava diante de um grande ser.
     Um ser digno e nobre que herdou uma missão; não digo invejável, mas, louvável e recompensadora: Ser responsável pelo Portal do Roncador, entrada da Serra onde encontra-se um dos mais famosos  picos do roncador, visitado por pessoas do mundo inteiro, chamado de “Dedo de Deus”.
      Maurinho dizia: - O homem não precisa de status. Precisa executar suas vontades nobres. É aí que mora a existência. Em tom professoral continuou:  - subsistência é como subsistir. É uma “quase vivência”. Não chega ser uma vida, subsistir é menos que viver. Se lembrarmos de que a maioria dos brasileiros e outras subnações estão na mesma condição, compreender isso torna-se triste e constrangedor.



                                              (in memorian a Sandro Vedoy da Silva)




                                            

segunda-feira, 9 de junho de 2014

DURA NA FRONTEIRA





    Lembrei-me da vez em que eu estava em uma estrada deserta. Cenário bucólico ideal para esquecer-se de si, relaxar, enfim, desligar.
    Eis que nesse êxtase encantador observo o belo dia, verdes pastagens que foram aradas pelo latifúndio, vazio do pós-colheita. É o protetor de tela do Windows.
    O mergulho ao âmago do meu ser foi tão forte que que resolvo ligar para minha mãe.
    Falo vinte minutos com a coroa e desligo. Vou entrar no carro para partir, mas, eis que surge uma s-10 do GEFRON (Policiais do Grupo Especial de Fronteira) e pede-me para me afastar do automóvel.
    Começa uma revista em meu carro para saber se portava drogas para o tráfico ou não.
    Nesse momento quase posso suar frio. Não sou traficante mas dou uns tapas de vez em quando e estava por um triz de ter que enfrentar o constrangimento e ser tachado legalmento como “usuário”.
    Olharam embaixo do painel do meu carro, porta-malas embaixo do banco. Tudo ok, estava limpo.
    Junto com minha mochila, violão e outros pertences estava meu saquinho de erva, filtros, fechador de cigarros e seda, ou seja, um kit maconheiro.
    Por precaução eu enrolei esses materiais em umas três sacolas plástica de supermercado. Um dos guardas que olhava minha mochila, violão e outros pertences pegou nas mãos o saquinho. Gelei novamente, ele olhou nos meus olhos que estavam vermelhos como de uma lebre, deu um sorriso de canto de boca e largou o saquinho de volta.
    Os guardas entraram na caminhonete e sumiram pelas estradas do Montese. Nunca mais os vi. Nunca mais fui lá.






segunda-feira, 2 de junho de 2014

FRAGMENTOS DE VIAGEM À CIDADE DE "Z" ( continuação IV )





      Percy Fawcett teria descoberto em suas explorações na América do Sul uma espécie de estátua que descrevia um mapa, tal mapa indicava que na região entre Barra do Garças e Nova Xavantina haveria uma cidade evoluída que mantinha relações extraterrestres. Cidade esta  cuidada pelos índios da região que tinham ética suficiente para conviver com tamanho conhecimento e poder. Muito contrário da maioria dos homens de nossa sociedade consumista e capitalista.
     A entrada dessa cidade, uma espécie de Atlanta, se daria no portal do Roncador.
     Portal do Roncador é uma reserva ecológica onde há formações rochosas encaixadas em formato de chaminés de barro, ou melhor descrevendo, picos rochosos de grandes altitudes. O lugar tem desenhos rupestres, escritas de outros povos que a princípio não pertenciam a essa região, aparições ufológicas, pontos de luz e inúmeras ordens esotéricas. Lá conheci Maurinho.




segunda-feira, 26 de maio de 2014

LÁ NO CÉU



Lua cheia

é o arco Íris

em linha reta, com suas sete cores,

seus sete espectros.

Girando no céu a noite continuamente.



segunda-feira, 19 de maio de 2014

MOÇOS




Já avisaram os pobres moços

Que no caminho dos amores

Não existem atalhos,

Apenas trabalhos

Que resultam em um pseudo nada absoluto,

Absoluto nirvana

Que nenhum mortal ousara adentrar ?

segunda-feira, 12 de maio de 2014

AMOR DE CARNAVAL



   


    O carnaval pode ser uma época triste onde solteiros procuram um amor eterno disfarçado de uma paixão fugaz.
    Casadas e casados sofrem com as brigas que convenientemente a época traz atrelado ao sumiço da cara-metade que se perde entre orgias e salões. Por esses e outros fatores é possível que o carnaval possa ser triste para certo número de pessoas.
    Havia um jovem que estava na faixa dos vinte anos e acreditava ter encontrado a mulher de sua vida. Sentia-se o mais afortunado dos homens. Tão moco e já contemplado no consórcio do amor.
    Conhecera de vista a menina de sua escola, mas, conversara com ela pela primeira vez uma reunião na casa de um amigo em comum. A paixão foi fulminante.
   Sonhos e devaneios de uma cinematográfica vida perfeita a dois tendo ela e ele como protagonistas não saia de sua cabeça. A sensação era celestial, não queria mais nada da vida.
    Transcorridos oito meses de intensa paixão, chega o carnaval e suas tentações.
    Subitamente na semana que antecedia o carnaval ela virou uma verdadeira fera na segunda-feira. Na terça ficara rabugenta, frígida na quarta, ausente na quinta e extremamente violenta na sexta.
   Uma briga em que palavras foram usadas como lâminas sangrando o mais nobre dos sentimentos e evocando os mais horrendos que um coração magoado e ferido pode ter.
   Sumiu na madrugada da sexta-feira. Madrugada esta que inaugura os devaneios permitidos de uma legítima festa da carne. Um mar de braços, pernas e bocas lânguidas e envolventes.
   Nunca mais vira seu suposto amor. Sumiu na sexta fatídica de um carnaval entre lantejoulas, camisinhas, bebidas e prazeres.




terça-feira, 29 de abril de 2014

ETÇ E OUTRAS COISAS

      É estranho os seres humanos buscarem uma unidade, religião, entendimento com o próximo se eles são tão díspares entre si.
      Chego quase a afirmar que, o que une as pessoas são as diferenças, como o que alivia os homens não é a presença de Deus, mas,  sim a sua ausência.
     Em nossa sociedade de agora ou de outrora as verdades sempre foram transitórias. Vejamos alguns exemplos disso: Ovo, chocolate, sexo, drogas, religião, trabalho, sono e muitos outros exemplos que poderia citar.
    Atualmente minha verdade, consciência e entendimento transitório sugerem-me que um mundo igual, uniforme e corriqueiro seria um tédio. Não evoluiria e talvez nem existisse.
     Crentes dizem que Deus surgiu, fez surgir o mundo, pessoas e formas de vidas diferentes, porém a ciência afirma que o choque de micro células diferentes que se completaram é que fez surgir o mundo.
     A certeza é que tanto Deus ou a ciência admitem que as formas de vida existem por causa das manifestações das diferenças que se deram através do contato com o diferente, ou seja, a vida animal, humana e até o sexo se deram pela junção dos diferentes.
     O prazer pleno se dá através do outro. Nem a masturbação funciona se não houver a imagem de outro ser diferente.
     Não estamos sozinhos no mundo justamente por que somos diferentes, etc e outras coisas






                                                           "Ser diferente é do caralho"
                                                                                                             Vozes populares

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas





Quando aquilo que é deixa de ser, tudo se dissipa em algum vão, só restam os móveis imóveis e um funesto silêncio. As esquinas, dobras e quadras lembram histórias que quando lembradas parecem apenas desperdícios de uma fútil tristeza desolada. O que é vivo e vívido não merece ser contado ou explicado, apenas sentido. Mas o que resta ao que não pulsa mais? As folhas que começam a cair já não encantam por sua leveza, nem o canto dos pássaros por sua sabedoria. De repente, todas as impressões metafóricas da vida tornaram-se tijolos e concreto entulhados, amontoados, não mais que cacos agregados por uma densa e insustentável preguiça de inventar arquiteturas impossíveis. Sol que não ilumina a escuridão, brisa que não afaga uma fria solidão. Medalhas de ouro e títulos de prata escorrem por entre os dentes de uma alma esvaziada. O gelo do metal não representa mais o seu valor. Quando o que é se dissipa, a arte deixa de completar, resta apenas um corpo, uma silhueta qualquer, um amontoado de partes e partículas incapazes de sorrir e encenar. O ator desce do palco e contempla, da platéia vazia, a banalidade da sua própria atuação, sem ação, imóvel, estagnado para todo o sempre, de olhos fechados a esperar o tempo. Parte e partículas que não dançarão; olhos e olhares que não mais olharão. A arte, a graça, a brasa, tudo se foi. Não há, nem nunca haverá um substituto àquele olhar. Não há lar. Amargo lar.

sexta-feira, 21 de março de 2014

FRAGMENTOS DE VIAGEM À CIDADE DE "Z" ( continuação III )




    Não resisti, minha curiosidade foi maior.
    A adrenalina em conhecer universos discrepantes do meu fez-me  fazer contatos com os “manos” indígenas .Para minha surpresa, foram muito receptivos.
    Após meia hora de conversa, dois baseados, diferenças linguísticas e piadas de gaúcho, me levaram para sua aldeia para experimentar um chá feito com a erva da Jurema.
    Jurema é uma árvore sagrada para os indígenas e dela eles extraem a casca para fazer um chá que é utilizado em seus rituais. O chá é feito sob as instruções do Pajé, líder espiritual indígena. Da erva da Jurema levaram-me para Serra do Roncador.
    Serra do roncador é um lugar envolto em mistérios metafísicos e extraterrenos. O mais famoso deles é o desaparecimento de Percy Fawccet, um explorador do museu britânico que teve a permissão negada duas veze para fazer pesquisas no interior do mato grosso. Uma dessas permissões fora negada pelo próprio marechal Cândido Rondon, responsável pelos assuntos de fronteira e relações internacionais dessa região.

      

                                                                                 (CONTINUA)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

POVO + MOVIMENTO PASSE-LIVRE=MOVIMENTO DE MARIONETES

  

    O que o povo brasileiro tem haver com o Schumacher, por que temos pena do Anderson silva e sofremos com a derrota de nosso time? Por que somos marionetes da mídia.
    Recordo que em 2009 o Brasil torcia avidamente pelo  direito de sediar a copa do mundo. Houve piadas do tipo “quero um marido padrão Fifa” entre outras. Por que agora a mídia está jogando a choldra contra a copa? Tem algo podre no ar.
   É possível admitir que a direita e as elites brasileiras são astutas e inteligentes.Tentaram o movimento “cansei”. Não deu certo.Tentaram reeditar a estória do caos aéreo.Não vingou. Tentaram causar furor de insatisfação com o “mais médicos”. Também não deu.


   A juventude estudantil de esquerda brasileira após décadas de inércia cria um movimento bacana denominado “passe-livre”. A direita se apodera dele desde o início levando-o para o ralo. Os verdadeiros líderes do “passe-livre” se retiraram, a direita se aproveitou e continua usando ele para criar insatisfação onde a direita elitista perdeu o trono.Podemos afirmar que o movimento virou "massa de manobra".   

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

FRAGMENTOS DE VIAGEM À CIDADE DE "Z" ( continuação II )

     Minha curiosidade, senso de adrenalina, mais a sensação que estava em um processo sagrado fez-me vencer qualquer receio que houvesse em mim para não falar com meus conterrâneos de pele vermelha.
     Comecei perguntando-lhes se conheciam a Serra do Roncador e suas lendas. Afirmaram que sim e que se eu quisesse, poderiam ser meu guia pelas matas do Roncador por um preço módico, é claro.
     Expliquei-lhes que não sou os playboys ou ricaços que circulavam por aqui atrás de alguma coisa que não sabiam o que é. Disse-lhes que procurava uma indicação, mas o caminho quem faria era eu.

                                                ( continua )

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O GRITO DO GRILADOR

    Os newcoronéis de Mato Grosso do Sul  reuniram meia dúzia de “gatos pingados” para exigir o direito de manter as terras roubadas de seus primeiros habitantes. Essa gente que possui o que há de mais podre no senso comum,vomita aos quatro cantos da Campo Grande que querem a volta da oligarquia onde com um sapato ou um saco de farinha se comprava votos,terras e acumulavam poder.
     O cidadão que não acredita que o” Grito do Produtor” nada mais é do que um desejo de perpetuar o coronelismo no Mato Grosso do Sul é um alienado.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

QUEM SOFRE O PECADO?


   



      O conceito de pecado é interessante. Eu como descendo dos silvícolas, compreendo a dificuldade de meus antepassados em compreenderem esta latina palavra.
         Não é a palavra em si, mas sua amplitude semântica, melhor traduzindo, o conjunto de elementos que compõem esse sentido.
         Hoje, ano de 2013, posso dizer que algo errado e pecado deveriam ser sinônimos. Não é! É muito mais.
         É possível afirmar que pecado é uma ação. Se há uma ação deve haver quem a cometa e quem  sofre seus efeitos.
         Como se chama quem sofre a ação do pecado?

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

MEU AMIGO PEDRO - RAUL SEIXAS




    
   
      Clássica música dos geniais Raul Seixas e Paulo Coelho, a letra da canção trata das diferenças de visões de mundo e conflito de gerações.
      Raul dedica esta canção ao seu irmão Plínio, que, diferente de Raulzito, tomou um rumo mais “normal” na vida.
     Por outro lado, a concepção da letra teve a importantíssima colaboração de dom Paulete (apelido dado por Raul a Paulo Coelho), o lendário parceiro do maluco beleza.
     Pelo lado de Paulo, a canção expõe a conturbada relação de amor e sofrimento que o mago teve com seu velho e imponente pai, o senhor Pedro Queima Coelho.
     Na infância, adolescência e até no início de sua juventude, o velho Pedro não conseguia entender o universo do seu esquisito filho, chegou a internar o futuro escritor em uma clínica psiquiátrica com tratamento muitas vezes a base de eletro choque.
     No documentário Raul- o início, o fim e o meio, Plínio Seixas afirma que tal música fora feita para ele, e que gosta da mesma.
     Na biografia “O mago”, de Fernando Morais, ele revela que a letra fora feita para o pai de Paulo Coelho, o senhor Pedro Queima Coelho.
     Óbvio que o nome Pedro fora devido ao parceiro de Raul ter criado o “esqueleto" da letra, mas, Raulzito colocou elementos e a parte musical para assim também estender a música ao irmão mais novo, e assim, transformando “Meu amigo Pedro” em uma obra de arte, pois, um dos pilares da arte é sua plurissignificância.
    “Meu amigo Pedro”, composta nos anos 70, período que Raul e Paulo mergulharam de cabeça na “Lei de Thelema” , porémque resultou em esta grande composição para a música popular brasileira e também para o rock and roll brasileiro, ou, como preferia o baiano, um ye ye ye realista.


MEU AMIGO PEDRO

Música: Raul seixas

Letra: Raul seixas e Paulo Coelho

Lp: Há 10 mil anos atrás

Ano:1973



Muitas vezes, Pedro, você fala

Sempre a se queixar da solidão

Quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro

É pena que você não sabe não

Vai pro seu trabalho todo dia

Sem saber se é bom ou se é ruim

Quando quer chorar vai ao banheiro

Pedro, as coisas não são bem assim

Toda vez que eu sinto o paraíso

Ou me queimo torto no inferno

Eu penso em você, meu pobre amigo

Que só usa sempre o mesmo terno

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Mas tudo acaba onde começou

Tente me ensinar das tuas coisas

Que a vida é séria e a guerra é dura

Mas se não puder, cale essa boca, Pedro

E deixa eu viver minha loucura

Lembro, Pedro, aqueles velhos dias

Quando os dois pensavam sobre o mundo

Hoje eu te chamo de careta, Pedro

Que você me chama vagabundo

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Mas tudo acaba onde começou

Todos os caminhos são iguais

O que leva à glória ou à perdição

Há tantos caminhos, tantas portas

Mas somente um tem coração

E eu não tenho nada a te dizer

Mas não me critique como eu sou

Cada um de nós é um universo, Pedro

Onde você vai eu também vou

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Mas tudo acaba onde começou

É que tudo acaba onde começou



Compositores: Paulo Souza / Paulo Coelho De Souza / Raul Seixas / Raul Santos Seixas

Letra de Meu amigo pedro © Warner/Chappell Music, Inc