sexta-feira, 24 de abril de 2009

O Que Há de Estranho?




"Nada humano me é estranho", assim foi uma das citações do presidente do Paraguai e ex-bispo, Fernando Lugo. No pronunciamento de sexta-feira (24), o presidente manifestou-se de maneira a calar os opositores que, segundo ele, estariam querendo desestabilizar seu governo, através de uma conspiração baseada na enxurrada de supostas paternidades - 6 até o momento, das quais uma foi reconhecida como legítima pelo presidente.

O que surpreende? Nada mais comum do que um presidente ter filhos, correto? Nada mais comum do que um clérigo ter filhos, correto? Pois bem, aí está o grande problema: com o advento da modernidade, aquilo que sempre aconteceu, hoje é esmiuçado ao máximo, não deixando dúvidas sobre sua veracidade. Entretanto, o que não veio "agregado", "embutido" ou "onboard" é a conceitualização e, principalmente, diferenciação, entre ética e moral.

Apesar de ser uma discussão complexa, que deixa dúvidas e abre premissas para réplicas, tréplicas e afins, de uma maneira sucinta, poderíamos definir ética como sendo o conjunto de princípios e normas de conduta relativas a um grupo ou instituição. Do outro lado, temos o conceito de moral que – do mesmo modo enxuto – poderíamos consagrar como sendo os bons costumes relativos ao indivíduo. Ou seja, no primeiro estariam contidas as “leis” a serem cumpridas; no segundo, os “conselhos”. Dessa forma, na teoria, uma infração ética seria muito maior do que uma moral, visto que a primeira congrega todo o grupo instituidor das “leis”; na segunda, somente o indivíduo “descuidado”.

Então, o que faz desses acontecimentos uma notícia? O fato do presidente ou do bispo ser um genitor em grande escala? Em minha concepção, nem um, nem o outro deveriam ser tema de pauta, já que há muito é sabido – em se tratando do primeiro caso – a negligência, o desmazelo e, até mesmo, a libertinagem com que são tratados os tão retrógrados, frívolos e desnecessários dogmas da igreja católica, inclusive – ou, até, principalmente – por seus mais íntimos participantes. Em se tratando do presidente, menos midiático ainda; pois alguns representantes políticos do oriente chegam a ter dezenas de filhos.

O que há no cerne dessa questão é a velha visão conservadora, impregnada tanto moral quanto eticamente pelas “diretrizes” católicas. Concordo plenamente que, se confirmada as paternidades nas ditas circunstâncias, é uma falta ética o que foi cometido pelo [bispo] Lugo, afinal quem se predispõem a integrar um grupo, uma instituição ou seja lá o que for, por mais inconveniente que esta seja, tem que estar apto a aceitar suas normas de conduta, suas leis, seus dogmas. Entretanto, colocar em jogo a moral do [presidente] Lugo, é um ato um tanto quanto precipitado, visto que, até o momento, não foi comprovado que ele tenha incorrido em qualquer delito legal.

O Estado ainda não é laico. As leis, as normas e – principalmente – a moral ainda são pautados pelo rigor religioso. Acusações éticas e morais viram o mesmo novelo de lã pelo viés eclesiástico, o que impossibilita uma política livre e, de fato, democrática.

Enquanto supostos casos de paternidade forem o suficiente para desestabilizar um governo instituído, jamais teremos uma constituição justa e homogênea, que contemple os homossexuais e racionalize a divisão das riquezas e das terras desse mundo, que tem muitas fortunas escondidas em "santinhos do pau oco".

11 de setembro oh happy day

11 de setembro visto pela ótica do oprimido,não do opressor.
Letra e música de KBÇAPOETA


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