Escrever é transpor para
realidade o irreal. Mais do que isso, escrever é concretizar a irrealidade de
descrever o real. Aquele que escreve busca o impossível. Não sem razão. Ele
quer concretizar, reduzir, simplificar aquilo que lhe afronta por ser abstrato,
infinito, complexo e, mesmo assim, localizado; localizado em algum lugar no seu
interior.
Na verdade, escrever é um ato escatológico de ESPREMER um parasita
purulento que pernicioso espraia-se contaminando a alma e a mente. Escrever com
alma é escrever para salvá-la. Não por acaso, a fala gagueja ao distinguir gênios
e loucos. A genialidade é o desespero da alma em curar-se da loucura. A loucura
é um verme. No entremeio disso tudo, está cada um de nós. Mais ou menos sãos,
mais ou menos idiotas. Enquanto incubados em uma realidade plana e
unidimensional, podemos atestar a nós mesmos nossa sanidade. Entretanto, ao sermos
expostos à menor brisa que seja, corremos o risco de vermos a claridade das
infinitas perspectivas ofuscarem nossa visão, desmaterializarem nossa
realidade, dissolverem nossa razão. Em uma realidade em que o real não existe,
o que resta sempre é uma representação do que nunca foi apresentado.
... e dizia o letreiro luminoso da entrada: só para loucos...
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